Setor calçadista cria 28 mil postos em 4 meses, mas há muitos desempregados

  • Joaquim Felix
  • Publicado em 3 de dezembro de 2020 às 08:29
  • Modificado em 11 de janeiro de 2021 às 10:19
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O setor segue com saldo negativo de mais de 16 mil postos e está gerando 11,4% menos empregos do que 2019

Mesmo com o resultado, no entanto, o setor segue com saldo negativo de mais de 16 mil postos e está gerando 11,4% menos empregos do que no mesmo período de 2019

Depois de amargar um primeiro semestre que acumulou a perda de mais de 44 mil postos de trabalho, a indústria calçadista brasileira tem experimentado um período de recuperação nos meses mais recentes.

Conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre julho e outubro foram criadas 28 mil vagas. 

Mesmo com o resultado, no entanto, o setor segue com saldo negativo de mais de 16 mil postos e está gerando 11,4% menos empregos do que no mesmo período de 2019. Atualmente, o setor emprega, diretamente, 252 mil pessoas. 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a abertura do varejo físico a partir do segundo semestre, especialmente em grandes centros comerciais, como São Paulo, foi fundamental para a recuperação dos postos. 

“São Paulo responde por mais de 40% do total comercializada pela indústria calçadista no mercado doméstico, que por sua vez representa mais de 85% das vendas totais do setor”, explica. 

Segundo Ferreira, o fechamento do comércio na primeira parte do ano teve um impacto muito forte na atividade, que registrou a perda de quase 60 mil apenas nos meses de abril, maio e junho deste ano, os mais agudos da crise.

“Mesmo com uma recuperação gradual nos últimos meses de 2020, devemos fechar o ano com uma queda de produção na casa de 25%, o que vai nos levar ao patamar de 16 anos atrás, com cerca de 650 milhões de pares produzidos”, projeta o dirigente, ao ressaltar que o setor foi um dos mais prejudicados pela pandemia do novo coronavírus e as restrições impostas ao varejo físico. 

Recuperação

Ferreira destaca que, no próximo ano, seguindo a tendência de recuperação da demanda doméstica e das exportações de calçados, o setor deve crescer em torno de 19%. “Mesmo assim, na melhor das hipóteses, com vacina e varejo liberado, não chegaremos ao patamar pré-crise. Ou seja, para empatar com 2019 somente em 2022”, conclui o executivo.