Não é só a cintura: alimentos ultraprocessados enchem os músculos de gordura

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 26 de abril de 2026 às 11:30
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Adultos que consumiam mais alimentos ultraprocessados apresentavam níveis mais elevados de gordura nos músculos da coxa

Estudo revela que ultraprocessados podem aumentar gordura nos músculos, afetando a saúde além do peso corporal (Foto Arquivo)

 

Aquele pacote de salgadinho ou a pizza congelada podem causar mais do que ganho de peso. Um estudo publicado na Radiology indica que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associado ao acúmulo de gordura dentro dos músculos.

A pesquisa aponta que esse efeito ocorre mesmo quando fatores como peso corporal, ingestão calórica e estilo de vida são considerados.

Gordura “invisível” nos músculos

Diferente da gordura que se acumula na barriga ou sob a pele, os pesquisadores identificaram infiltração diretamente nos músculos das coxas.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Ankara e da Universidade da Califórnia em São Francisco, com análise de 615 adultos mais velhos.

Dieta influencia a qualidade muscular

Em média, os alimentos ultraprocessados representavam 41% da dieta dos participantes — índice considerado elevado.

Os dados mostraram um padrão claro: quanto maior o consumo desses produtos, maior o nível de gordura nos músculos analisados.

Impacto vai além do peso

Mesmo após ajustes por fatores como idade, atividade física, renda e índice de massa corporal (IMC), a relação entre ultraprocessados e piora muscular se manteve.

Quando os pesquisadores analisaram a circunferência da cintura, a associação ficou ainda mais forte, indicando que a distribuição da gordura corporal também influencia o problema.

Músculos mais fracos, mais risco

A infiltração de gordura altera o funcionamento do músculo, tornando-o mais fraco.

No caso das coxas, isso pode comprometer o suporte aos joelhos, especialmente com o avanço da idade.

Estudo não prova causa direta

Apesar dos resultados consistentes, os pesquisadores ressaltam que o estudo não comprova causa direta, já que analisa um recorte específico no tempo.

Ainda assim, os dados reforçam o alerta sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde — que vão além da balança.

Fonte: Folha de Pernambuco