Estudos investigam como frio, chuva e pressão atmosférica podem influenciar dores articulares
Tem gente que percebe a mudança no tempo antes mesmo da previsão aparecer no celular: basta o joelho começar a doer (Foto Arquivo)
Tem gente que percebe a mudança no tempo antes mesmo da previsão aparecer no celular: basta o joelho começar a doer.
A relação entre clima e dores articulares atravessa gerações e aparece principalmente em relatos de pessoas com artrite, artrose e outras doenças inflamatórias. Mas será que isso realmente tem explicação científica?
A ciência ainda não tem uma resposta definitiva, mas já existem evidências de que mudanças climáticas podem influenciar dores nas articulações em parte da população.
Como o clima pode influenciar dores no joelho
No centro dessa discussão está a pressão atmosférica, também chamada de pressão barométrica. Ela representa a força exercida pelo ar sobre a superfície terrestre e muda constantemente conforme o clima.
Pressões mais altas costumam indicar tempo estável. Já quedas na pressão geralmente antecedem chuva, frio e aumento da umidade — justamente os períodos em que muitas pessoas relatam piora das dores.
As articulações são estruturas bastante sensíveis. Elas possuem cápsulas cheias de terminações nervosas e são lubrificadas pelo fluido sinovial, responsável por reduzir o atrito e facilitar os movimentos.
Quando há inflamação, desgaste da cartilagem ou doenças como osteoartrite e artrite reumatoide, pequenas alterações ambientais podem ser percebidas com mais intensidade.
Uma das hipóteses científicas é que a queda da pressão atmosférica permita uma leve expansão dos tecidos inflamados dentro das articulações. Isso aumentaria a pressão sobre nervos locais e poderia intensificar a sensação dolorosa.
O que os estudos descobriram
Pesquisas científicas já tentaram entender essa relação entre clima e dores articulares.
Um estudo publicado no American Journal of Medicine encontrou associação entre queda da pressão barométrica e aumento da dor no joelho em pacientes com osteoartrite.
Outra revisão científica, publicada na revista Arthritis Research & Therapy, mostrou que pessoas com artrite reumatoide podem responder de maneiras diferentes às mudanças climáticas. Enquanto algumas sentem piora durante períodos frios e úmidos, outras praticamente não percebem alterações.
Já o projeto Cloudy with a Chance of Pain, que monitorou sintomas por aplicativo, encontrou uma associação modesta entre clima instável e aumento das dores articulares.
Apesar disso, os pesquisadores reforçam que ainda é difícil identificar exatamente qual fator climático provoca a piora, já que frio, chuva, umidade e pressão costumam acontecer ao mesmo tempo.
O frio também interfere nas articulações
As temperaturas baixas também parecem contribuir para o desconforto.
O frio provoca contração muscular, reduz a flexibilidade e deixa tendões e ligamentos mais rígidos. Isso faz os movimentos parecerem mais “travados”, especialmente em pessoas com artrite ou artrose.
Além disso, o organismo reduz a circulação sanguínea nas extremidades para preservar a temperatura interna. Com menos fluxo sanguíneo, há menor oferta de oxigênio e mais dificuldade para eliminar substâncias ligadas à inflamação.
Outro ponto importante é que o fluido sinovial fica menos eficiente em temperaturas mais baixas, aumentando o atrito nas articulações.
Por isso, mãos, pés, dedos e joelhos costumam sofrer mais durante períodos frios e úmidos.
Então o joelho realmente “prevê” a chuva?
Não exatamente como um aplicativo de meteorologia, mas especialistas acreditam que algumas pessoas realmente sejam mais sensíveis às mudanças ambientais.
A intensidade da dor depende de fatores individuais, como:
– grau de inflamação articular.
– sensibilidade nervosa.
– condições emocionais.
– percepção subjetiva da dor.
Mesmo sem consenso absoluto, o conjunto de evidências científicas sugere que clima, frio, chuva e pressão atmosférica podem influenciar dores articulares, principalmente em quem já convive com doenças inflamatórias ou degenerativas.