Indústria de cana se vê à beira do colapso e quer imposto maior para gasolina

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  • Publicado em 9 de maio de 2020 às 18:12
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:42
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Setor quer criar colchão permanente para que não haja ruptura na indústria dos biocombustíveis

Setor vê na baixa do preço do petróleo uma boa oportunidade de aumentar as tributações sobre os combustíveis (Foto: Tadeu Fessel/Reprodução)

A queda no preço dos combustíveis, sobretudo na gasolina, está levando a indústria da cana e biocombustível a pedir o aumento de impostos na gasolina e no diesel. 

O setor vê na baixa do preço do petróleo uma boa oportunidade de aumentar as tributações sobre os combustíveis mais convencionais, e assim criar um colchão permanente para que não haja ruptura na indústria dos biocombustíveis.

Mas o presidente Jair Bolsonaro já disse que não vai autorizar o aumento. “O álcool não está sendo competitivo perto da gasolina barata, então eles querem que aumente a Cide. Não acho justo aumentar a Cide  (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para salvar setor sucroalcooleiro. Está em R$ 0,10 no litro da gasolina e querem que passe para mais R$ 0,28. A minha política é de não aumentar imposto. Não vou aumentar imposto”, disse nesta quinta-feira, 07.

No entanto, o segmento ainda vê espaço para negociação, e o biodiesel quer estar ao lado dos usineiros do etanol nessa discussão.

O que diz o setor? “Somente se lembra de fazer um colchão no Brasil quando é muito alto o preço do petróleo, nunca se lembram disso quando o preço é baixo, o momento de implantar isso é quando está baixo, porque o consumidor sente menos”, alega Juan Ferré, presidente da Ubrabio (União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene).

Ferrés argumenta que a atividade ainda tem impacto na economia regional e gera emprego, o que pode ajudar na retomada da economia no pós-covid-19. No caso do biodiesel, hoje são mais de 400 mil trabalhadores em 43 empresas.

Qual o contexto? A crise na indústria do biodiesel acompanha a queda de demanda por diesel, puxada pela pandemia do novo coronavírus. 

Apesar de mais suave do que da gasolina, a queda de vendas de diesel no primeiro trimestre do ano foi de 20%, o que reduz o volume da mistura do biocombustível, hoje em proporção de 12%.

Além disso, no último leilão realizado pelo governo, em abril, houve queda da compra prevista pelas distribuidoras, empurrando os preços também para baixo, o que trouxe incerteza ao setor.

Quais os planos para o setor? Ferrés vê espaço para implantação de projetos mais ambiciosos, como misturas de 30% e 50% de biodiesel nos transportes coletivos nas grandes cidades, para reduzir a emissão de gases efeito estufa e com isso diminuir a incidência de doenças respiratórias na população. 

Também pode ser mais utilizado no setor agrícola, podendo atingir 100% em alguns motores.

Saída da Petrobras também preocupa: A Petrobras está saindo do setor de biodiesel e já anunciou que vai vender seus ativos nessas operações.

O problema é saber quem vai passar a realizar os leilões do produto, já que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) ainda não demonstrou interesse em voltar a executar as vendas, como fez no início do processo, em 2005.

*6Minutos

(Com Estadão Conteúdo)


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