Ignorar sinais de lesão e confundi-los com dores musculares pode levar a lesões crônicas, desequilíbrios musculares, padrões compensatórios e diminuição do desempenho
Aprenda a diferenciar dor muscular de lesão, prevenir o desconforto pós-treino e recuperar o corpo sem comprometer seu desempenho físico (Foto Freepik)
Quem voltou a treinar depois de um tempo parado ou aumentou a intensidade dos exercícios provavelmente já sentiu aquela dor que chega um ou dois dias depois — um incômodo que varia entre um formigamento leve e uma rigidez forte.
Essa sensação, chamada dor muscular de início tardio (DMIT ou DOMS), é comum e geralmente sinal de adaptação do corpo. Mas também pode ser o primeiro aviso de sobrecarga ou lesão, e saber diferenciar uma coisa da outra é essencial.
O que causa a dor muscular?
A DMIT ocorre de 18 a 48 horas após o treino, quando há microlesões nas fibras musculares provocadas por movimentos intensos ou excêntricos — como baixar um peso ou descer uma ladeira.
Essas microlesões geram inflamação e liberam substâncias que sensibilizam as terminações nervosas, causando a dor.
Segundo especialistas, o desconforto não é sinônimo de treino eficiente. A melhora física vem com a evolução progressiva, não com o nível de dor. É possível treinar com ótimos resultados sem sentir nenhum tipo de incômodo.
Dor muscular x lesão: como saber a diferença
A dor muscular é difusa, leve ou moderada, afeta grupos musculares grandes e melhora com o movimento. Já uma lesão muscular causa dor localizada e imediata, às vezes acompanhada de inchaço, hematomas ou perda de força.
Sinais de alerta para parar o treino e procurar um médico:
– Dor repentina e aguda;
– Inchaço ou hematomas visíveis;
– Dificuldade para mover o músculo;
– Formigamento ou fraqueza;
– Dor no peito ou falta de ar.
Se o desconforto durar mais de 72 horas, é preciso avaliação médica, com exames como ultrassom ou ressonância.
Como prevenir a dor muscular
A prevenção passa por preparo e bom senso. Veja as principais recomendações dos especialistas:
– Aquecimento de 5 minutos com movimentos leves e articulares;
– Aumento gradual da carga, de 10 a 15% por semana;
– Alongamento estático após o treino, por 30 segundos;
– Hidratação constante e reposição de eletrólitos;
– Alimentação equilibrada, com carboidratos e proteínas antes e depois dos treinos;
– Sono de 7 a 9 horas para recuperação muscular.
O que fazer quando a dor aparece
Se a dor muscular surgir, o ideal é manter movimentos leves — como caminhadas ou pedaladas curtas — para estimular a circulação e reduzir a rigidez. Aplicar gelo por 15 a 20 minutos ajuda a controlar a inflamação.
Evite massagens fortes ou calor imediato, pois podem piorar o quadro se houver lesão. Retome os treinos gradualmente, sempre ouvindo o corpo. Se a dor piorar ou alterar sua forma de se mover, é hora de parar.
E se for lesão?
O tratamento é dividido em duas fases:
1. Fase aguda (primeiras 72h):
Repouso, gelo, compressão e elevação do membro lesionado — o famoso protocolo RICE. Medicamentos só com orientação médica.
2. Fase subaguda (após 72h):
Movimentos leves, exercícios de fortalecimento e propriocepção, fisioterapia, eletroterapia e calor superficial para aliviar a dor e restaurar a função muscular.
A reabilitação deve ser acompanhada por fisioterapeuta e inclui diagnóstico, plano individual, fortalecimento, readaptação esportiva e educação para evitar novas lesões.
Respeitar o corpo é o melhor treino
A mensagem final é simples: treinar bem não é treinar até doer, é melhorar com constância e inteligência. Dores musculares leves são normais; insistir na dor errada pode custar semanas de recuperação.
Como resume o ortopedista Moisés Palti: “É melhor perder um dia de treino do que ficar semanas parado por causa de uma lesão.”