Entenda como a paternidade muda o cérebro masculino

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 10 de agosto de 2026 às 13:00
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Aumento de oxitocina, queda de testosterona e reorganização neural provam que a biologia masculina se adapta ativamente ao cuidado dos filhos

Entenda como a paternidade modifica o cérebro masculino, altera hormônios e fortalece o vínculo com os filhos (Foto Magnific)

 

Durante a gestação, a atenção médica e familiar costuma se voltar para as profundas transformações físicas e hormonais do corpo feminino. No entanto, pesquisas no campo da neurociência e da antropologia comprovam que o cérebro e o sistema endócrino dos homens também passam por uma reconfiguração biológica profunda ao se prepararem para a paternidade.

Longe de ser apenas uma escolha cultural moderna, o engajamento paterno ativa mecanismos biológicos latentes. Quanto mais o pai se envolve na rotina de cuidados do bebê, mais intensas tornam-se as alterações neurais e hormonais.

Queda de Testosterona e Elevação do Hormônio do Amor

Pesquisas pioneiras, como as conduzidas pelo antropólogo Lee Gettler na Universidade de Notre Dame e pelo neurocientista James K. Rilling na Universidade Emory, demonstram que os futuros pais apresentam reduções significativas nos níveis de testosterona e vasopressina ainda durante a gestação da parceira.

Homens que registram as maiores quedas de testosterona tendem a demonstrar maior empatia ao choro dos recém-nascidos e dedicam mais tempo às tarefas diárias da criação.

Em contrapartida, a oxitocina — conhecida como o “hormônio do amor” — e a prolactina sofrem um aumento expressivo no organismo masculino. Nas primeiras horas após o parto e durante o contato pele a pele, a liberação de oxitocina fortalece o vínculo afetivo.

A aplicação experimental do hormônio estimula comportamentos de interação mais expressivos e entusiasmados por parte dos pais.

Reorganização Neural e o Cérebro do Cuidador

A psicóloga clínica Darby Saxbe compara a transição para a paternidade ao período da adolescência, caracterizado por intensa plasticidade cerebral. Exames de imagem mostram que o cérebro masculino se remodela para processar novas informações socioemocionais.

Um estudo conduzido pela pesquisadora Ruth Feldman em 2014 revelou a capacidade adaptativa do cérebro.

Em casais onde o homem assume o papel de cuidador principal, regiões como a amígdala — associada a respostas instintivas e afetivas tradicionalmente observadas em mães — apresentam alta atividade, combinando respostas emotivas e sociais.

Impactos Sociais e Benefícios para a Família

Os achados científicos reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à família, como a ampliação da licença-paternidade e o incentivo à presença dos homens em consultas pré-natais.

A participação ativa do pai traz benefícios diretos para a saúde mental das mães e para o desenvolvimento físico das crianças.

Pesquisas de longo prazo associam a presença de pais atenciosos até mesmo à melhoria da saúde cardiovascular dos filhos na infância.

Fonte: Época Negócios


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