Livro sobre Hotel das Águas Quentes vai ser lançado no sábado na Casa da Cultura

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 14 de dezembro de 2016 às 10:37
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:03
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O hotel, que existia na área em que o Rio Canoas desemboca no Rio Grande, foi destruído nos anos 1960

O Hotel das Águas Quentes de Canoas, na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, que atraiu milhares de francanos e de moradores outras regiões do Brasil nas décadas de 1940 a 1960, é tema de um livro de 150 páginas a ser lançado sábado, 17 de dezembro, na Casa da Cultura, em Franca.

De autoria de Regina Ramos Malagoli, a obra foi apresentada anteriormente em São Paulo, em 29 de novembro, e tem o nome de “A Água que o Progresso Levou – A História do Hotel das Águas Quentes de Canoas (MG) na década de 50”.

O hotel, que existia na área em que o Rio Canoas desemboca no Rio Grande, foi destruído nos anos 1960 pelas águas da Usina Hidrelétrica do Estreito.

Na época, os frequentadores do lugar lamentaram bastante, já que Águas Quentes era algo além de um simples nome: sua água mineral, jorrando em temperatura elevada, tinha propriedades medicinais que ajudaram a curar inúmeras pessoas que sofriam de problemas gástricos ou de doenças da pele.

Não houve jeito, a prioridade pelo progresso da energia elétrica inundou as terras e as construções, que deixam saudade.

Regina é filha de Theodomiro Ramos Filho, o Miro, que administrou o hotel por mais de dez anos, até 1957, e que viria a morar em Franca a partir dos anos 1980 até seu falecimento, aos 97 anos, em 2013.

Nos últimos três anos, a autora recorreu à sua memória, a arquivos, entrevistas e álbuns de família para reconstituir a história daquela propriedade comprada na década de 1930 por Theodomiro Ramos, pai de Miro.

“Era uma luta manter o hotel naquelas condições, com uma estrada tão precária entre Franca e o local, enfrentada a cada dois dias pelo meu pai, que dirigia uma perua Chevrolet para buscar hóspedes e produtos em Franca”, relata Regina, que hoje reside em São Paulo.

“Tudo isso era gratificante, vendo a alegria de pessoas que chegavam lá com dificuldades para caminhar ou se alimentar e, após alguns dias de tratamento, tomando a água na fonte e se banhando na piscina natural, saíam curadas.”

Para levar adiante a obra, Regina Ramos Malagoli contou com o apoio literário de seu primo, o jornalista e professor Luiz Carlos Ramos, que trabalhou 37 anos no jornal “O Estado de S. Paulo”, e do editor do livro, o jornalista Ailton Fernandes, ex-repórter do “Jornal da Tarde”.

Luiz Carlos, que em sua época de garoto frequentou Águas Quentes, é filho de um dos irmãos de Miro, o engenheiro Luiz Gonzaga Ramos, que, nascido em São Simão, morou alguns anos em Franca, tendo participado da construção da rodovia de Franca a Patrocínio Paulista nos anos 1940. Um dos capítulos do livro reproduz a entrevista que o jornalista Realindo Júnior, de Franca, fez com Theodomiro Ramos Filho a respeito das Águas Quentes de Canoas.

“A Água que o Progresso Levou” terá uma sessão de autógrafos de Regina Ramos Malagoli no sábado, dia 17, das 19 horas às 20h30, na Casa da Cultura de Franca, à Rua Oscar Brasilino dos Santos, 1.531.


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