Psicanalista explica como diferenciar os episódios de pesadelo e terror noturno e qual a melhor forma de proteger os pequenos
Seu filho acorda assustado, gritando ou chorando? Entenda as diferenças entre pesadelo e terror noturno e saiba a forma correta de acolher a criança em cada situação (foto Freepik)
O choro ou o grito no meio da noite é um dos momentos que mais geram insegurança nos pais. No entanto, acordar assustado é um processo comum no desenvolvimento infantil, especialmente entre os 2 e 8 anos.
A grande dúvida na hora do acolhimento é saber se a criança teve um pesadelo comum ou se está passando por um episódio de terror noturno — situações que exigem atitudes diferentes dos responsáveis.
Segundo a psicanalista Yafit Laniado, o pesadelo funciona como uma ferramenta do cérebro para organizar emoções e frustrações vividas durante o dia.
Nele, a criança desperta totalmente, reconhece os pais, busca colo e, muitas vezes, consegue relatar o que sonhou. “Quando a criança encontra acolhimento, ela aprende que sentiu medo, mas que está segura”, explica a especialista.
Terror Noturno: O fenômeno da Parassonia
Diferente do pesadelo, o terror noturno costuma ocorrer nas primeiras horas do sono profundo e assusta mais os pais do que os pequenos. Nele, a criança pode gritar, sentar-se na cama e parecer apavorada, mas — o detalhe crucial — ela não está acordada.
Confira as principais diferenças:
No Pesadelo: A criança acorda, pede colo, lembra do sonho e geralmente ocorre no final da madrugada (sono REM).
No Terror Noturno: A criança parece “fora de si”, não reconhece os pais, pode estar de olhos abertos mas sem foco, e não se lembra de nada no dia seguinte. Geralmente ocorre logo após o início do sono.
Como os pais devem agir?
A forma de intervir muda completamente conforme o caso. No pesadelo, o ideal é o acolhimento físico e verbal, transmitindo segurança até que a criança volte a dormir.
Já no terror noturno, a orientação é não acordar a criança à força. Tentar despertá-la pode aumentar a agitação e a desorganização do episódio.
O indicado é manter a calma, garantir a segurança física (para que ela não caia da cama, por exemplo), reduzir os estímulos sonoros e esperar o episódio passar espontaneamente.
Medo como amadurecimento
A psicanálise defende que nem todo medo é traumático. Aprender a lidar com esses desconfortos noturnos ajuda a criança a desenvolver a autorregulação emocional.
Fatores como mudanças na rotina, excesso de telas ou conflitos familiares podem influenciar a qualidade do sono, mas se os episódios forem frequentes, a recomendação é buscar orientação de um pediatra ou especialista em sono.