Professor de Franca se destaca em projetos científicos com alunos da rede estadual

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 14 de setembro de 2026 às 09:00
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Henrique se considera o fio condutor de uma interação que move o interesse criativo dos alunos e também do corpo docente.

O professor de Biologia, Henrique Pereira, da Escola Estadual Ângelo Scarabucci, em Franca, vem construindo uma trajetória de destaque na orientação de projetos de pré-iniciação científica desenvolvidos por seus alunos.

Ao longo dos últimos anos, trabalhos orientados por ele chegaram às principais feiras e premiações de ciência e tecnologia do país, conquistando títulos, menções honrosas e colocações de destaque.

O reconhecimento mais recente veio com o projeto “Fertiliza Invasora: controle e uso da leucena no reflorestamento com espécies nativas”, vencedor do 4º Prêmio Ciência para Todos 2025, promovido pelo Canal Futura, Fundação Roberto Marinho e Fapesp.

Vencedores

A experiência do professor também inclui o projeto “Silêncio Consciente: alunos autistas e os ruídos em sala de aula”, que teve uma trajetória expressiva.

O trabalho foi vencedor do 2º Prêmio Ciência para Todos 2023, além de ter sido finalista e recebido Menção Honrosa no 10º Prêmio Solve for Tomorrow 2023, da Samsung.

O projeto ainda foi finalista e vencedor do Prêmio Museu Paulista da USP, na 21ª Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE 2023/2024).

Outro trabalho orientado por Henrique Pereira foi o “Macafiltro: uso da macaúba para remoção de agrotóxico em água contaminada”, finalista do 9º Prêmio Solve for Tomorrow 2022, da Samsung.

Professor Henrique e as alunas integrantes do projeto Macafiltro

Lista extensa

A lista de projetos premiados inclui ainda o “SCAponária: produção de sabonete natural a partir da árvore-do-sabão”, semifinalista do 8º Prêmio Solve for Tomorrow 2021 e que conquistou o 2º lugar na 7ª Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo (FeCEESP 2020), promovida pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Em 2019, o projeto “Proteção dos pés para a cabeça: reutilização de resíduos produzidos na indústria calçadista na produção de um capacete sustentável para ciclistas” venceu o 1º Prêmio Ciência para Todos, além de conquistar o 3º lugar no 6º Prêmio Solve for Tomorrow.

A trajetória começou, entre outros trabalhos, com o projeto “Liberdade na ponta do dedo: protótipo de cadeira de rodas automatizada e controlada apenas por um botão”, finalista da 17ª FEBRACE 2018/2019 e da 6ª FeCEESP 2019. O trabalho também venceu o I Concurso de Comunicação Científica “LIGAndo a Ciência” 2018.

Professor Transformador

Premiação da 2ª edição do prêmio Ciência para Todos

O desempenho dos projetos também trouxe reconhecimento ao próprio professor. Henrique Pereira foi finalista do Prêmio Professor Destaque da 17ª FEBRACE 2019 e conquistou o 3º lugar no 1º Prêmio Professor Transformador 2020, promovido pelo Instituto Significare, em parceria com a Base2edu e a Bett Educar.

Mais do que a coleção de prêmios, a trajetória mostra a transformação de problemas ambientais, sociais e de acessibilidade em temas de investigação dentro da escola. Sob a orientação do professor, os estudantes são colocados diante de desafios que exigem pesquisa, criatividade e busca por soluções.

O resultado é uma produção científica que ultrapassa os limites da sala de aula e coloca alunos de uma escola estadual de Franca em competições de alcance nacional, revelando o potencial da pesquisa científica como instrumento de aprendizagem e transformação.

Uma história de vida feita de projetos

Premiação da 4ª edição do prêmio Ciência para Todos

Em entrevista ao Jornal da Franca, Henrique Pereira disse que durante toda a sua infância e adolescência nunca pensou em ser professor. Depois de cursar Biologia, por sugestão da sua mãe prestou um concurso público para professor de Biologia da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Foi algo bastante despretensioso. Aprovado no concurso, em 2014 resolveu aceitar o desafio de ser professor. Nas primeiras semanas de trabalho, Henrique percebeu que a realidade era bem diferente do que imaginava.

Ele começou sua trajetória em uma escola cuja comunidade enfrentava muitas dificuldades e que tinha poucas perspectivas em relação à educação. Sua impressão inicial era de que muitos alunos não levavam as aulas tão a sério, talvez porque ainda não conseguissem enxergar a importância daquilo para suas próprias vidas.

Durante o primeiro ano, Henrique foi tentando mudar aquela situação, se adaptando. Não se acostumando, mas aprendendo a lidar melhor com aquela realidade. Aos poucos, foi conseguindo alcançar um pouco mais a interação dos alunos.

Novas metodologias

Com o tempo, começou a conhecer novas metodologias, a realizar atividades práticas e a desenvolver projetos de pesquisa.

Ele diz que recebe muito apoio da direção e da coordenação da escola, e também percebe o interesse cada vez maior dos alunos, que desenvolvem ideias e possuem talento para realizar os projetos que são premiados.

No fundo, Henrique se considera o fio condutor de uma interação que move o interesse criativo dos alunos e também do corpo docente.

Muitos professores também desenvolvem projetos e os alunos estão cada vez mais interessados em fazer a diferença na educação e mostrar o potencial da educação pública, razão de todo trabalho.


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