​Observem e pensem

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 19 de julho de 2017 às 08:12
  • Modificado em 29 de outubro de 2020 às 23:56
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Gerar: ato de criar vida / fazer nascer / procriar.

Geração: efeito de gerar / função pela qual um ser produz outro semelhante.

Olhem o que estamos fazendo com as novas gerações, entre os 18 e os 25 anos! O que mais odiávamos, quando fazíamos parte da “Nova Geração”, era a rotulagem.

Rótulos do produto por nós lançado há pouco no mercado de autoflagelação: Geração Z, Milenial, Canguru, Mimimi, Silenciosa…

Carregar uma pecha é como viver enjaulado, o indivíduo perde a noção de dignidade, de individualidade. Passa a fazer parte da gangue dos tatuados, mesmo que sua tatuagem seja diferenciada, personalista, criativa.

No dia em que investirmos em ensino, talvez consigamos transformar ensino em conhecimento, transformar conhecimento em educação. E, a partir daí, nos transformarmos, nos reeducarmos para poder educar.

Estar sozinho com um jovem não significa lhe dar um tratamento individual, significa apenas tirá-lo do bolo, da massa, para, muitas vezes, aplicar a mesma fórmula ou a mesma pena que aplicamos a todos.

Ouvir o aluno, o jovem, creio ser a melhor maneira de construir um processo de ensino criativo. Ninguém ouviu a minha geração, deu no que: deu essa coisa amorfa, essa coisa toda remendada, complexada, a que chamamos de processo educacional. Mas, não é só ouvir, é também provocar, descobrir as particularidades, criar estratégias para não matar a noção de grupo, de comunidade.

Talvez assim paremos de estimular essa confusão entre aluno e filho, família e escola; de manter essa máxima determinista de que “filho de peixe, peixinho é”.

Agora, o partido “sem partido” quer criar a escola sem partido. Fatalmente, repetiremos a pecha que recebemos, quando éramos jovens: a de “geração alienada”; a que deixou esse mundo devastado, onde são escritas muitas leis, são feitas várias conferências, mas não se chega a lugar algum.

“Como nossos pais?” Não. Boa parte desses jovens invadem escolas para fazer, na prática, o que os velhos apenas aplaudem de longe, fazem seus discursos filosófico-sociológicos, mas não enfiam a mão na merda. Esses jovens não têm partido, na maioria das vezes, têm uma “causa” suficiente forte para lutar por ela.

Não se esqueçam meus novos “velhos” amigos, professores, de que uma prova não só avalia o aluno, mas também o professor: criador e criatura. Nunca fomos bons alunos, então…