Eleição da Presidência da Câmara expõe: Alexandre está longe de ser unanimidade

  • Marcia Souza
  • Publicado em 5 de dezembro de 2021 às 19:00
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Prefeito entra na disputa interna do Legislativo e, para não ser derrotado, tem que retroceder

Prefeito entra na disputa interna do Legislativo e, para não ser derrotado, tem que retroceder

Não é de hoje que o Poder Executivo mete o bedelho na eleição de presidente da Câmara Municipal. Embora os poderes sejam distintos, o cargo é fundamental para o andamento de projetos e interesses dos prefeitos.

E via de regra são fechados acordos, com a anuência dos prefeitos, para a escolha do presidente, da Mesa Diretora e das principais comissões – estas pelas famosas “colinhas”.

Em Franca, também funciona assim. No primeiro ano da atual legislatura, um acordo conduziu Claudinei da Rocha, por unanimidade, à Presidência.

A intenção, inicialmente, era de que no segundo ano outro vereador ocupasse o cargo. Mas Claudinei queria continuar. O problema é que deixou de contar com o apoio de Alexandre Ferreira, que decidiu, segundo os próprios vereadores, lançar Kaká. Os votos da base racharam.

Surge outro nome

Paralelamente a isso, Carlinhos Petrópolis também entrou na briga, apoiado por um grupo que não queria apoiar Claudinei e nem Kaká, se somava sete vereadores, suficiente para vencer os seus concorrentes.

Alexandre, então, naquele momento, viu a Presidência se direcionar a um grupo que rechaçava a sua interferência nas questões da Câmara. Oficialmente, nem uma palavra do prefeito. Nos bastidores, as articulações foram constantes.

Na véspera da eleição, na quarta-feira, sem demover Claudinei da pretensão de continuar na cadeira, as orientações do Executivo foram de que todos “os seus” votassem em Claudinei e que Kaká desistisse de participar do pleito.

E como fica?

O objetivo de conquistar a presidência foi alcançado, assim como os demais cargos da Mesa Diretora e comissões, mas ficarão consequências.

Claudinei terá um segundo ano de mandato marcado por certa desconfiança, pois não aceitou abrir mão da candidatura em favor dos outro pretendentes – pelo bem da diplomacia. Mas, até aí, faz parte do jogo político.

No caso de Alexandre, ele terá que lidar com a realidade de que sete vereadores não se curvaram à interferência do prefeito na eleição da Mesa.

Isso pode sinalizar, segundo vereadores ouvidos pela reportagem, que a base que Alexandre acredita ter na Câmara não está firmada na rocha como ele esperava, mas talvez em um banco de areia.

As próximas sessões e votações demonstrarão isso e também se a ingerência valeu a pena. E pagar – ou não – para ver.


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