Cometa visível na região de Franca está mais brilhante nesta segunda-feira (20)

  • Robson Leite
  • Publicado em 20 de abril de 2026 às 12:30
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Entre os dias 21 e 26 de abril, ele estará próximo da direção do Sol, o que impedirá sua visão devido ao brilho excessivo da nossa estrela.

Belíssima imagem de grande campo do C/2025 R3 (PanSTARRS) e sua fina e longa cauda em Sion, na Suíça. Foto: José Rodrigues.
O cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) está sendo um belo programa para os brasileiros que gostam de observar o céu.
O astro, um raro visitante vindo do Cinturão de Kuiper (uma região gelada e remota depois de Netuno), está se exibindo nos céus do Brasil desde o sábado, 18 de abril, embora sua cauda proeminente já venha rendendo lindas imagens em outros países.

Os melhores dias para observar o cometa em todo o Brasil foram 18 e 19, mas nesta segunda-feira, dia de 20 de abril ainda será uma oportunidade de boa visualização.

O objeto está mais próximo do seu periélio (o ponto de sua órbita mais próximo do Sol), o que aumenta significativamente o seu brilho.

Como ver melhor

Para garantir a visualização, os interessados devem olhar para o horizonte leste (lado onde o Sol nasce) cerca de uma hora antes do Sol nascer.

É fundamental escolher um local longe da poluição luminosa das cidades e com o horizonte livre de obstáculos, como prédios ou árvores. Mesmo antes do Sol nascer já há claridade no céu (crepúsculo matutino) então o tempo de observação será muito curto.

Segundo a astrônoma do Observatório Nacional, Dra. Josina Nascimento, existem três tipos de crepúsculo matutino:

a) – o crepúsculo astronômico, que ocorre quando o Sol está a 18 graus abaixo do horizonte leste e é o último momento de escuridão total;

b) – o crepúsculo náutico, que ocorre quando o Sol está a 12 graus abaixo do horizonte leste e já se começa a distinguir céu do mar;

c) – e crepúsculo civil, quando o Sol está 6 graus abaixo do horizonte leste e a estrela mais brilhante do céu deixa de ser visível.

O raciocínio inverso é feito para os crepúsculos vespertinos. Para se ter uma ideia, no Rio de Janeiro, no dia 18 de abril o Sol nasce às 6h07, o crepúsculo matutino civil às 5h44, o crepúsculo matutino náutico às 5h17 e o crepúsculo matutino astronômico às 4h51.

Cerca de uma hora antes do nascer do Sol, no Rio de Janeiro, se estará no crepúsculo astronômico e com possibilidade de visualizar o cometa, pois o céu ainda estará escuro, embora não totalmente escuro.

Professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e parceiro do Observatório Nacional (ON/MCTI) no programa “O Céu em sua Casa”, o astrônomo Dr. Gabriel Hickel dá as orientações para quem deseja capturar esse momento único.

“Quem quiser vê-lo deverá procurar um local bem escuro, longe das luzes dos centros urbanos, com o horizonte leste desimpedido. O melhor horário será uma hora antes do nascer do Sol em cada lugar. O uso de binóculos é recomendável”.

Veja os principais conceitos e o cronograma para você não perder nada:

Brilho e magnitude: O brilho de um cometa é medido pela magnitude (uma escala numérica onde, quanto menor o número, mais brilhante é o objeto). Estima-se que o R3 PanSTARRS possa atingir a magnitude 2,5, tornando-se visível a olho nu, de forma semelhante à mais fraca das estrelas “Três Marias”.

Dispersão frontal: A visibilidade pode ser ampliada pela dispersão frontal (fenômeno físico onde a poeira da cauda do cometa reflete a luz solar diretamente para a Terra), o que pode causar um aumento repentino e espetacular no brilho no final de abril.

Conjunção celeste: Nos dias 15 e 16 de abril, o cometa proporcionou um evento fotográfico raro ao aparecer visualmente próximo à conjunção (alinhamento aparente no céu) entre a Lua, Mercúrio, Marte e Saturno.

A despedida: Após atingir sua mínima distância da Terra no dia 27 de abril (73 milhões de quilômetros), o cometa começará a ser arremessado para fora do Sistema Solar por sua órbita atual, sem previsão de retorno.

Para quem não conseguir acordar cedo no fim de semana, haverá uma nova chance: após o dia 27 de abril, o cometa voltará a ficar visível, mas desta vez após o pôr do sol, facilitando a observação no início da noite.

De acordo com notícia do portal Gov.Br, entre os dias 21 e 26 de abril, ele estará muito próximo da direção do Sol, o que impedirá sua visão devido ao brilho excessivo da nossa estrela.

A origem do nome

O C/2025 R3 foi descoberto no ano passado e seu nome segue a convenção padrão de nomenclatura de cometas:

C/ – usado para cometas com períodos orbitais maiores que 200 anos ou para cometas que têm órbita com período variável ou aberta, deixando o Sistema Solar

2025 – o ano da descoberta.

R – indica a descoberta na primeira metade de setembro (cada metade do mês recebe uma letra de A a Y, excluindo I).

3 – foi o terceiro cometa descoberto nessa metade do mês.


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