Especialistas acreditam que a Aneel pode acionar a bandeira vermelha já no próximo mês, com cobrança adicional nas contas de luz
Não bastasse o aumento de preços dos alimentos, da gasolina e do gás de botijão neste início de ano, agora as contas de luz também poderão ficar mais salgadas a partir de maio.
Diante do baixo nível dos reservatórios hidrelétricos, após um período chuvoso que ficou aquém da média histórica, especialistas acreditam que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) pode acionar a bandeira vermelha 1 já no próximo mês.
A medida acrescenta um custo de R$ 4,169 a cada 100 kWh (quilowatt-hora) consumidos. Com isso, alguns economistas têm ajustado para cima suas expectativas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em maio.
Até março, o índice oficial de inflação do país acumula alta de 6,10% em 12 meses, acima da meta de inflação para este ano, que é de 3,75%.
O dado de abril será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 11 de maio.
Segundo a BBC News Brasil, há quem acredite que a bandeira em maio possa ainda continuar no patamar amarelo (com cobrança adicional de R$ 1,343 a cada 100 kWh).
Mas mesmo esses mais otimistas avaliam que o país não escapará da bandeira vermelha nos meses seguintes, até dezembro.
Diante da probabilidade de acionamento da bandeira vermelha patamar 1 já em maio, Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, revisou sua estimativa para o IPCA daquele mês de uma alta de 0,46% para 0,64%, uma aumento de 0,18 ponto percentual.
“Ainda vejo a possibilidade de termos em maio a bandeira amarela, mas tenho como cenário-base o acionamento da vermelha 1”, pondera o economista.
Segundo ele, caso a bandeira vermelha não se confirme nesta sexta-feira, e a amarela seja mantida, esse efeito inflacionário deve ser adiado para junho.
Diante do baixo nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, Sanchez também alterou sua expectativa para a bandeira que deve vigorar em dezembro, de amarela para vermelha 1.
Com isso, o analista elevou sua projeção para a inflação em 2021, de uma alta de 4,9% para 5,1%.
No boletim Focus do Banco Central mais recente (de 26/04), a mediana do mercado apontava para um IPCA em alta de 5,01% este ano e de 3,60% em 2022.
No início do ano, a expectativa dos analistas era de altas de 3,32% e 3,50% para o IPCA neste e no próximo ano, respectivamente.