Promovido pela Biblioteca Municipal, evento contará com exposição de livros, música e muita leitura
Dando continuidade a um programa que vem conquistando cada vez mais apreciadores, a Biblioteca Municipal “Américo Maciel de Castro Júnior” prepara mais uma edição do projeto “Degustação Literária” para esta sexta-feira, dia 20, a partir das 18h. Desta vez, o poeta Manuel Bandeira será o homenageado.
Em sua 8ª edição, o objetivo do projeto é transformar o local em um “restaurante caseiro”, onde recebe o público adulto e tem uma interessante apreciação de obras literárias, com um cardápio composto por contos, boa música e exposição dos livros dos autores selecionados para o evento.
Como há limitação de espaços, recomenda-se aos interessados que confirmem presença pelo telefone: 3711-9229.
O POETA MAIOR
Manuel Bandeira, um dos pilares da fase heroica do modernismo no Brasil, certamente é um dos maiores representantes da poesia em verso livre na literatura brasileira. Em seus poemas predomina uma temática que contempla o prosaico, o corriqueiro, permeados por doses exatas de lirismo que fizeram de Bandeira um dos mais aclamados escritores de nossas letras.
Grande apaixonado por música e arquitetura, a poesia surgiu na vida de Manuel Bandeira por acaso: a saúde frágil do adolescente que sofria de tuberculose afastou-o da vida agitada e cheia de aventuras tão comum aos jovens e levou-o à introspecção, descobrindo então o prazer de fazer versos sem ter sido antes um leitor voraz. A sensação iminente de morte fez com que sua obra fosse marcada por temas como a solidão, a angústia existencial, as reminiscências da infância e o isolamento advindo da doença. Embora frágil, viveu 82 anos, e sua extensa obra dá um testemunho da poesia brasileira no século XX.
Para que você conheça um pouco mais sobre a obra do poeta que um dia ousou criar seu próprio paraíso – é dele o poema Vou-me embora pra Pasárgada. Conheça um pouco da beleza dos versos do poeta que tão bem combinou lirismo e cotidiano.
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
SERVIÇO
A Degustação Literária é aberta ao público em geral.
Início: às 18h
Local: Biblioteca Municipal “Américo Maciel de Castro Júnior”