Dormir menos do que o recomendado pode comprometer a recuperação muscular, afetar o desempenho e desacelerar a evolução nos treinos
Para muitas pessoas, conquistar melhores resultados na academia significa treinar mais, aumentar as cargas ou seguir uma alimentação equilibrada. Mas um hábito comum na rotina dos brasileiros pode estar comprometendo parte dessa evolução: dormir pouco.
Embora uma noite mal dormida não seja capaz de anular os benefícios de um treino, a privação frequente de sono interfere em processos fundamentais para a recuperação do organismo.
Estudos apontam que noites insuficientes reduzem a capacidade de reparação muscular, alteram hormônios ligados ao ganho de massa magra e aumentam a percepção de esforço durante a prática de exercícios, tornando a evolução mais lenta ao longo do tempo.
Segundo uma revisão publicada pela National Sleep Foundation, adultos devem dormir entre sete e nove horas por noite para favorecer a recuperação física e cognitiva.
Desempenho
Já pesquisas divulgadas no European Journal of Sport Science mostram que a restrição de sono está associada à queda no desempenho esportivo, maior fadiga e aumento do risco de lesões.
Na prática, isso significa que o descanso deve ser encarado como parte da rotina de quem busca mais saúde, qualidade de vida ou evolução física.
“A musculação não termina quando a pessoa guarda os pesos. O treino gera um estímulo para o organismo, mas é durante o período de recuperação que acontecem as adaptações responsáveis pelo ganho de força e de massa muscular”, explica Leandro Twin, professor de educação física da BlueFit.
Segundo ele, “quando alguém dorme pouco de forma recorrente, esse processo deixa de acontecer da maneira mais eficiente, e os resultados podem demorar mais para aparecer”.
Frequência nos treinos
A organização da rotina também influencia diretamente nesse processo. Encontrar horários que permitam manter a frequência nos treinos sem comprometer o descanso é um dos desafios de quem concilia trabalho, estudos e outras responsabilidades.
Nesse cenário, academias com unidades distribuídas em diferentes regiões das cidades, horários estendidos e ampla oferta de equipamentos, ajudam a tornar a prática de exercícios mais prática e eficiente.
Estar próximo de casa ou do trabalho reduz o tempo de deslocamento, enquanto uma estrutura com grande quantidade de aparelhos e diferentes modalidades contribui para treinos mais fluidos, com menos espera e maior aproveitamento do tempo disponível, permitindo que a atividade física se encaixe na rotina sem sacrificar as horas de sono.
Disposição para os treinos
Além da recuperação muscular, a qualidade do sono influencia o equilíbrio hormonal. Durante o sono profundo ocorre maior liberação do hormônio do crescimento (GH), importante para a regeneração dos tecidos.
Ou seja, uma sequência de noites mal dormidas, torna o problema crônico e, consequentemente, uma alta no nível de cortisol.
Outro efeito aparece na disposição para treinar. Pessoas que dormem menos tendem a apresentar maior sensação de cansaço, redução da concentração e pior desempenho físico, o que pode tornar os exercícios mais difíceis e aumentar o risco de falhas durante a execução dos movimentos.
A alimentação também desempenha um papel importante nessa equação. “Uma noite mal dormida altera hormônios que regulam o apetite, como a leptina e a grelina, aumentando a vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e gordura.
Além disso, a recuperação muscular depende de uma oferta adequada de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais, que fornecem ao organismo os nutrientes necessários para reparar as fibras musculares após o exercício”, afirma Larissa Amorim, nutricionista.
Frequência compatível
De acordo com a especialista, manter horários regulares para dormir, evitar o excesso de cafeína nas 6 horas que antecedem o sono e fazer uma refeição equilibrada após os treinos são estratégias que ajudam a potencializar a recuperação do organismo.
Para quem tem uma rotina corrida, os especialistas reforçam que a solução não é abandonar os exercícios, mas encontrar uma programação que seja sustentável no longo prazo.
Ajustar o horário do treino, respeitar os períodos de descanso e manter uma frequência compatível com a realidade de cada pessoa costuma trazer mais resultados do que aumentar a intensidade sem permitir que o corpo se recupere.
“A evolução física acontece pela soma de bons hábitos. Treino, alimentação e descanso precisam caminhar juntos. Não adianta querer compensar uma rotina de poucas horas de sono treinando cada vez mais. O corpo precisa de tempo para se recuperar e responder aos estímulos”, conclui Leandro Twin.