Estudos garantem: excesso no consumo de gordura afeta o cérebro dos seres humanos

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 5 de abril de 2024 às 15:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Pesquisas mostram que o consumo excessivo da gordura saturada de origem animal provoca a inflamação do hipotálamo

Pesquisas mostram que o consumo excessivo da gordura saturada de origem animal provoca a inflamação do hipotálamo

Todo mundo sabe que comer um sanduíche com mortadela, salsicha ou linguiça é uma delícia. Mas é preciso cuidado porque esses alimentos são gordurosos e o consumo excessivo desse tipo de gordura destrói os neurônios e faz a pessoa querer comer mais. Além disso, o excesso causa problemas cardiovasculares e nas artérias.

O endocrinologista Alfredo Halpern e a nutricionista Ana Maria Lottenberg mostram como a gordura age no organismo e como consumi-la da maneira correta para evitar problemas.

Halpern explica que a gordura pode fazer bem para o corpo se consumida dentro do recomendado. O excesso pode causar problemas nas artérias, no cérebro, e provocar doenças como diabetes e obesidade.

As células de gordura estão localizadas sob a pele, abaixo da derme (região subcutânea) e entre as vísceras. São formadas por triglicerídios (união de três ácidos graxos livres com uma molécula de glicerol). Têm capacidade de armazenamento, então quando a pessoa consome mais do que gasta, a célula cresce até seu limite e depois se multiplica.

Além disso, pesquisas mostram que o consumo excessivo da gordura saturada de origem animal provoca uma inflamação no hipotálamo, a região do cérebro que controla a fome e a saciedade. Isso destrói os neurônios e a pessoa não se sente mais saciada e come mais. Esse excesso provoca também um “estresse” metabólico das células, que ficam desorganizadas.

Por isso, a gordura deixa de ser depositada apenas nas células adiposas e começa a se instalar também em alguns órgãos, como o fígado e o pâncreas.

Outro problema do consumo de alimentos gordurosos é a digestão, que é mais lenta, ou seja, a gordura demora mais para ser eliminada do estômago.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, desde os anos 70, o brasileiro vem mudando sua alimentação com dietas que não atendem às necessidades nutricionais do organismo. O consumo de refrigerante, refeições prontas, misturas industrializadas cresceu, assim como o de alimentos embutidos, como a salsicha, frios e linguiças – aumentou em 300%.

A nutricionista Ana Maria Lottenberg recomenda que a gordura represente apenas 30% da alimentação para uma dieta balanceada. Desses 30%, apenas 7% deve ser gordura saturada. Grande parte deve ser de gordura de origem vegetal, que é a menos prejudicial. Por isso, saber qual a quantidade de cada alimento ajuda a se manter dentro da dieta saudável.

Em uma fatia de mortadela de 50 gramas, por exemplo, tem 12,5 gramas de gordura total, sendo 5 delas de gordura saturada. Ou seja, 25% desse alimento é gordura. Já uma salsicha, também de 50 gramas, possui 13 gramas de gordura, sendo 4 delas de gordura saturada, o que dá 26% de gordura.

Saber escolher o tipo da linguiça também pode ajudar na dieta. Por exemplo, 50 gramas da linguiça toscana tem 9 gramas de gordura, sendo 4 delas saturada. Isso significa 18% de gordura no alimento, um percentual menor do que os outros. Mas, se você preferir a linguiça portuguesa, esse percentual aumenta para 32% e isso já é um número preocupante.

Todos esses alimentos são carnes processadas, que não têm ferro e têm poucas vitaminas. Elas têm muito sal, conservantes e gordura e, por isso, não devem ser consumidas com frequência.

E é importante lembrar também que, durante um dia inteiro, uma pessoa irá ingerir outras gorduras que, somadas à mortadela, por exemplo, ultrapassarão o consumo recomendado.

O modo de preparo também pode interferir nas características do alimento. Por exemplo, a linguiça ganha entre 5 e 8 gramas de gordura se for frita, o que corresponde a mais ou menos 50 calorias a mais na alimentação. A dica é prepará-la no forno, assada, sem usar óleo ou refogá-la com tomate ou cebola.

Para a nutricionista Ana Maria Lottenberg, a gordura trans, que também se chama gordura vegetal hidrogenada, é a mais prejudicial à saúde. Esse tipo de gordura aumenta o colesterol total e o colesterol “ruim”. Em longo prazo, as consequências disso aparecem e podem surgir doenças como infarto e derrame cerebral.

Mas a gordura trans ajuda a melhorar a consistência e aumentar a vida de prateleira de alguns produtos. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que todos os alimentos tragam em sua embalagem a quantidade de gordura trans presente nas fórmulas.


+ Boa Forma