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Pantone revela as cores do ano de 2021: Ultimate Gray e Illuminating

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 1 de janeiro de 2021 às 13:33
  • Modificado em 11 de janeiro de 2021 às 13:12
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É a primeira vez que uma cor acromática é selecionada, e a segunda vez que duas cores são escolhidas

A Pantone Color Institute assumiu sua tarefa anual de prever a cor que melhor reflete o ano que está por vir. 

E, em uma decisão apropriada para um momento complexo, a autoridade das cores —que padroniza amostras para a indústria do design —revelou não um, mas dois tons para a Cor do Ano: o cinza neutro Ultimate Gray e o amarelo vibrante Illuminating.

“É uma combinação que conversa com a resiliência, otimismo e esperança e positividade que precisamos conforme nos redefinimos, renovamos, reimaginamos e reinventamos”, disse Laurie Pressman, vice-presidente da Pantone Color Institute, numa videoconferência ao lado da diretora-executiva Leatrice Eiseman. 

É a primeira vez que uma cor acromática (cinza) é selecionada, e a segunda vez que duas cores são escolhidas. 

Em 2016, o rosa e azul pálidos, Rose Quartz e Serenity, quebraram a norma a serem apresentados como um gradiente. 

Apesar da seleção de duas cores, parece que a Pantone vem se resguardando em relação às apostas —um cinza ou amarelo, dependendo de como 2021 se desdobra— Pressman e Eiseman querem que as pessoas considerem o impacto das cores como um par unido, que sugere a importância da solidariedade no ano vindouro. 

“Duas cores extremamente independentes destacam como elementos diferentes se unem para expressar essa mensagem de força e esperança”, disse Pressman. 

Implicações terapêuticas​

A Cor do Ano da Pantone reflete as tendências de cor em moda, beleza, design e decoração de interiores, e desde o início, a iniciativa também serve como uma espécie de indicador de humor, que seleciona os tons que capturam o espírito do tempo.

Em anos de incerteza, como o 2020 da pandemia, isso frequentemente significa escolher cores para aliviar, acalmar e animar.

Tons serenos de azul fizeram várias aparições nas últimas duas décadas, mas só uma outra vez um tom otimista de amarelo foi selecionado, durante outra crise econômica de larga escala. 

Em 2009, Pantone escolheu o vívido Momosa, projetando uma sensação de esperança com a Grande Recessão de 2008 abalando as Américas e a Europa. 

A escolha do ano passado, Classic Blue, ofereceu um sentimento de tranquilidade com o mundo entrando em uma nova década, bem como um bálsamo para os sentimentos de agitação e instabilidade. 

Ela foi selecionada justamente antes da Covid-19 se tornar uma crise internacional. 

“Em retrospecto, nós olhamos para trás e pensamos, ‘bem, essa foi uma escolha fortuita para este ano'”, disse Eiseman. 

Foi uma decisão que ecoou a primeira Cor do Ano da empresa: o Cerulean de 2000, escolhido frente aos medos de que o novo milênio impactasse os computadores que dominaram o noticiário. 

“Foi um sentimento dicotômico”, disse Eiseman. “Era um medo do que poderia acontecer. Então [foi escolhido] para ajudar a aliviar esse medo. Mas o céu azul denota que há um futuro por vir… que há algo bom a se esperar. Então foi uma escolha cuidadosa desde o início”. 

No passado, as cores foram mais óbvias em sua relação com os eventos da atualidade. 

Por exemplo, o enérgico Living Coral de 2019, que ressaltava a beleza dos micro-organismos oceânicos, mas que também alertava quanto a seu desaparecimento, com o aquecimento dos mares causado pela mudança climática dizimando a população de corais. 

No fim de 2016, depois da eleição presidencial dos EUA, Pantone escolheu Greenery para o ano seguinte, aludindo para a turbulência política e escolhendo a cor para restauração e renovação.

“Nosso objetivo é envolver as pessoas em uma conversa sobre cor”, disse Pressman. “Tem de ser orgânico. Tem de ser verdadeiro com o que está acontecendo”. 

Apesar de Pantone ser conhecido pela previsão de cores e relatórios de tendências, Pressman disse que a Cor do Ano não é baseada em dados. 

“O que estamos procurando? Do que precisamos? E quais são as características psicológicas daquela cor que pode nos dar o que estamos procurando?”, questionou Pressman. 

A decisão não é só baseada pelo estado do mundo, mas também pelo que acontece nas esferas de moda e arte. Mas neste ano, ela disse, “você não pode escapar da influência esmagadora da pandemia”. 

Associações psicológicas​

De acordo com um comunicado da Pantone à imprensa, Illuminating é associada a otimismo e vivacidade, enquanto Ultimate Gray encoraja “sentimentos de compostura, estabilidade e resiliência”. 

Na própria pesquisa dela sobre associação de cores, Eiseman descobriu que o amarelo é frequentemente associado a “alegria” e “felicidade”, dada sua correlação com o Sol. 

Um pequeno estudo de 2019 que foi revisado por pares, liderado pela psicóloga suíça Domicele Jonauskaite, chegou a uma conclusão semelhante. 

O estudo usou música e imagens para induzir estados de espírito específicos em seus 125 participantes e, em seguida, pediu-lhes que escolhessem cores que combinassem com estes estados. 

Os participantes geralmente associavam a cor amarela com alegria.

Já em 2020, Jonauskaite e sua equipe conduziram um estudo internacional maior on-line sobre pares de cores e emoções para ver se as diferenças de nacionalidade ou idioma influenciavam as associações. 

Dos quase 4.600 participantes em 30 países, a maioria escolheu o amarelo como a cor da alegria.

A seleção de Pantone para Ultimate Grey, no entanto, é um pouco mais complicada. 

Embora tenha sido selecionado por suas qualidades de firmeza e confiabilidade, a cor da pedra e um clássico neutro em um guarda-roupa; de acordo com a pesquisa de Jonauskaite, o cinza está relacionado a humores negativos como tristeza, medo e decepção.

Em um ano marcado devido a doenças em massa e ansiedade econômica, essa seleção não está errada. 

Mas Pressman acredita que o cinza pode ser um pouco mais versátil e aberto à interpretação. Ela e Eiseman apontam que um tom meio cinza, não é um tom “pesado”.

No entanto, sobre a interpretação das pessoas às escolhas de Pantone deste ano, Pressman e Eiseman enfatizam a força de reunir duas cores diferentes.

“O que estávamos tentando demonstrar era como você tem diferentes elementos que se unem, e é essa união que expressa a força e a esperança”, disse Eiseman.

“Acho que (uma) coisa que se tornou abundantemente clara durante este tempo, em todo o mundo é essa compreensão mais profunda de quanto precisamos uns dos outros”, disse Pressman. 

“Como nossas conexões com outras pessoas, nossos relacionamentos com outras pessoas, nos dão esse apoio emocional.”, completa.

*Informações CNN