Veterana enfrenta desafio de modernizar clube e voltar a ocupar lugar de destaque no futebol do Estado e do país
A eleição da nova diretoria da Associação Atlética Francana recolocou em pauta um tema cada vez mais presente no futebol brasileiro: a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O recém-eleito presidente Fransergio Garcia defende o modelo como caminho para reestruturar o clube, mas com uma ressalva clara — preservar a identidade histórica da Veterana.
A proposta, no entanto, está longe de ser simples. A adoção da SAF implica mudanças profundas na gestão, no controle e até na cultura do clube.
Na prática, significa abrir espaço para investidores, que passam a ter participação direta nas decisões, o que exige equilíbrio entre capital e tradição.
Exemplos
Nos últimos anos, o futebol brasileiro viu exemplos distintos desse processo. O Red Bull Bragantino é frequentemente citado como caso de sucesso, com forte aporte financeiro, gestão profissional e resultados esportivos consistentes. A Portuguesa também iniciou um processo de reorganização com a SAF, buscando recuperar competitividade após anos de ostracismo.
Naufragou
Por outro lado, nem todas as experiências caminham sem turbulências. O Botafogo, apesar de avanços estruturais e títulos brasileiro e da Libertadores, enfrenta momentos de instabilidade esportiva, dividas e pressão da torcida, evidenciando que o investimento não garante resultados. O modelo exige tempo, planejamento e alinhamento entre investidores e a cultura do clube.
Veterana
No caso da Francana, os desafios são ainda maiores. Atualmente na Série A-3 do Campeonato Paulista, o clube vive um período de baixa relevância esportiva e sequer disputará a Copa Paulista por falta de estrutura. Sem calendário ativo no segundo semestre, a equipe só deve voltar a campo em competições profissionais em janeiro do próximo ano.
Torcida
Esse cenário reforça a necessidade de investimentos, mas também amplia a pressão por resultados rápidos. A torcida, que convive há anos mais com a ausência de títulos do que com campanhas expressivas, tende a ver na SAF uma solução imediata — expectativa que nem sempre corresponde à realidade.
Vai ceder?
Além da questão esportiva, a eventual transformação exigirá decisões delicadas. Entre elas, a definição de quanto controle o clube estará disposto a ceder, quais garantias serão estabelecidas para preservar sua história e como será estruturada a governança da nova empresa.
A diretoria eleita sinaliza cautela ao defender um modelo “sem perder a identidade”, mas o desafio será transformar esse discurso em prática.
No futebol brasileiro, a experiência recente mostra que a SAF pode ser um caminho viável de recuperação, desde que acompanhada de planejamento sólido, transparência e paciência — elementos que serão colocados à prova em Franca nos próximos meses.