Anda vigiando as redes sociais do (a) ex? Saiba o que a ciência diz sobre isso!

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 21:00
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Acompanhar o ex nas redes sociais pode parecer inofensivo, mas pesquisas indicam que o hábito dificulta a recuperação emocional após o término e mantém a dor ativa por mais tempo

Psicólogos alertam que checar redes sociais do (a) ex pode dificultar a superação e prolongar o sofrimento (Foto Freepik)

 

Checar as redes sociais do ex virou um comportamento comum após o fim de um relacionamento. A curiosidade sobre como a outra pessoa está vivendo, se já seguiu em frente ou com quem está pode virar rotina — e até parecer uma forma de manter algum controle da situação.

Mas pesquisas em psicologia e comportamento digital apontam para um efeito contrário: acompanhar a vida do ex online tende a prolongar a dor do término e dificultar a recuperação emocional.

O cérebro interpreta como vínculo ainda ativo

Segundo a psicóloga clínica Joanne Davila, da Stony Brook University, nos Estados Unidos, buscar informações sobre o ex nas redes sociais reforça conexões emocionais que deveriam enfraquecer após o rompimento.

Em outras palavras, cada visita ao perfil mantém o vínculo mental vivo, mesmo que o relacionamento já tenha acabado.

Estudos na área de ciberpsicologia associam a chamada “vigilância digital do ex” a maior angústia, saudade intensa e menor sensação de crescimento pessoal após o término.

Para a professora Michelle Drouin, da Universidade Purdue Fort Wayne, esse comportamento indica que a pessoa ainda não conseguiu elaborar a separação de forma saudável.

A busca por respostas alimenta o ciclo

Após um rompimento, o cérebro ativa o chamado sistema de apego — mecanismo ligado à segurança emocional. Quando esse vínculo é rompido, surge a necessidade de entender o que aconteceu e preencher o vazio deixado pela relação.

As redes sociais facilitam essa busca. Fotos, postagens e interações criam a sensação de acesso constante à vida do outro.

A cada nova informação, o cérebro recebe uma pequena dose de recompensa, ligada à dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e ao controle.

Esse ciclo pode se tornar repetitivo: a pessoa verifica o perfil, sente um alívio momentâneo e, pouco depois, volta a sentir ansiedade ou tristeza — o que a leva a verificar novamente.

Com o tempo, isso impede o processamento real das emoções e dificulta a superação.

O impacto na recuperação emocional

Especialistas apontam que manter esse contato indireto prolonga o luto do término. Em vez de permitir que o vínculo emocional enfraqueça naturalmente, a vigilância constante reacende lembranças e comparações.

Em momentos de fragilidade, o conteúdo visto nas redes pode ser interpretado de forma negativa ou distorcida, reforçando sentimentos de rejeição, insegurança ou inadequação.

Isso cria um ciclo em que a dor alimenta a curiosidade, e a curiosidade alimenta a dor.

Estratégias para romper o hábito

Psicólogos recomendam limitar ou interromper o contato digital com o ex, ao menos temporariamente. Estabelecer um período sem acesso às redes sociais pode ajudar o cérebro a reorganizar emoções e reduzir a intensidade do apego.

Outra estratégia é redirecionar a atenção para atividades que tragam bem-estar, como exercícios físicos, conversas com amigos ou novos interesses. Essas ações ajudam a regular o sofrimento e a reconstruir a rotina sem a presença constante do antigo parceiro.

Também é importante reformular o significado do término. Em vez de enxergá-lo apenas como perda, especialistas sugerem vê-lo como uma oportunidade de reconstrução e de abertura para relações mais saudáveis no futuro.

Desconectar para seguir em frente

A curiosidade sobre o ex é natural, especialmente nos primeiros meses após o rompimento. No entanto, manter o hábito de acompanhar a vida da outra pessoa online pode atrasar o processo de cura emocional.

Permitir que o vínculo se dissolva, sem estímulos constantes, costuma ser um passo importante para recuperar o equilíbrio e abrir espaço para novas experiências.

Em muitos casos, parar de olhar para o passado digital é o que permite, de fato, seguir em frente.

Fonte: Metrópoles


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