Nutricionista ensina como comer salada fora de casa em segurança

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 12:30
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Ao consumir saladas sem o manuseio de segurança adequado, as pessoas podem ficar expostas agentes infecciosos perigosos à saúde

Quem é fã de salada ou come por obrigação sabe que lavá-las em casa antes do consumo é um ato obrigatório para evitar contaminações (Foto Arquivo)

 

Quem é fã de salada ou come por obrigação sabe que lavá-las em casa antes do consumo é um ato obrigatório para evitar contaminações. O grande problema é comer os vegetais na rua.

Apesar de esperarmos que todos os restaurantes sigam as normas de segurança impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem sempre isso acontece, deixando o consumidor em risco.

Quando não são manipuladas e armazenadas de acordo com o controle indicado de higiene e temperatura, saladas prontas servidas em restaurantes, bufês, cafés ou delivery podem sofrer contaminação microbiológica – ou seja, apresentar a presença e proliferação de microrganismos.

“Verduras cruas são alimentos preparados sem cozimento (prontos para consumo), o que facilita a sobrevivência e multiplicação de microrganismos se as boas práticas não forem aplicadas em toda cadeia de produção”.

“Alimentos prontos para consumo devem ser mantidos sob refrigeração adequada e protegidos contra qualquer forma de contaminação”, aponta o nutricionista Wesley Santana, membro do Conselho Federal de Nutrição (CFN).

Contaminação cruzada

Uma das principais formas de contágio é a contaminação cruzada. Ela acontece quando alimentos prontos entram em contato com outros crus, utensílios ou superfícies sem a higienização adequada por descuido do manipulador.

O uso de água contaminada também pode causar prejuízos.

“A ausência dessas medidas de controle favorece a proliferação de microrganismos patogênicos capazes de causar doenças transmitidas por alimentos (DTAs), caracterizadas por quadros gastrointestinais graves, podendo evoluir para complicações sistêmicas em indivíduos vulneráveis”, alerta Santana.

Como detectar que a salada pode estar contaminada

Estar atento à temperatura: saladas prontas devem ser mantidas em ambientes frios (preferencialmente abaixo de 5°C); caso contrário, tem grande risco de contaminação.

Analisar o local de exposição: além de evitar saladas sem proteção adequada, é recomendável não ingerir aquelas dispostas próximas ao calor ou com utensílios para pegá-las mal higienizados.

Olhar a aparência da salada: se as folhas estiverem frescas, sem sinais de murchamento, excesso de água ou odor desagradável, elas estão boas para o consumo.

Consumi uma salada contaminada. O que pode acontecer?

Ao ingerir saladas contaminadas, o indivíduo fica vulnerável a diversos agentes infecciosos presentes no alimento e que podem causar reações adversas. Entre os principais patógenos, estão:

Escherichia coli: pode causar diarreia, cólicas abdominais e, em casos graves, insuficiência renal;

Salmonella spp.: responsável por causar salmonelose, gerando sintomas como febre, diarreia e vômitos;

Listeria monocytogenes: é menos comum, mas é capaz de sobreviver a baixa temperaturas e causar listeriose – uma condição grave para gestantes, idosos e imunocomprometidos devido ao sistema imunológico mais comprometido desses grupos;

Norovírus: a contaminação pode causar gastroenterite aguda;

Giardia duodenalis: pode causar giardíase, caracterizada por diarréia persistente, dor abdominal, gases, náuseas, perda de peso e má absorção de nutrientes;

Entamoeba histolytica: pode causar amebíase intestinal, com diarreia, cólicas e, em casos graves, comprometimento hepático.

Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e Ancylostoma spp.: podem contaminar verduras irrigadas com água inadequada ou cultivadas em solo contaminado, causando anemia, dor abdominal, diarreia e prejuízos ao estado nutricional.

“Quando a gente fala de saudabilidade alimentar, uma das principais preocupações é a presença de patógenos nos alimentos”.

“Essa contaminação pode ocorrer em qualquer etapa do processo, desde a manipulação ainda na colheita, passando pelo transporte, até o armazenamento”, afirma o médico nutrologista Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.

Dicas para comer salada fora de casa em segurança

Na hora de encher o prato de folhas, algumas dicas são essenciais. Por exemplo, ao comer salada fora de casa, a opção mais segura é pedir as preparadas na hora, visto que elas ficam menos tempo expostas, diminuindo o risco de proliferação de microrganismos.

Outra boa alternativa é optar por saladas compostas por legumes cozidos e grelhados, como brócolis e cenoura.

O processo térmico reduz o risco de agentes infecciosos. Alface e rúcula costumam ter mais risco de contaminação, enquanto acelga e espinafre menos, se manuseados corretamente.

Em tempo de férias e verão, também é importante estar atento às altas temperaturas. “Em dias quentes, esses microrganismos se proliferam com muito mais facilidade. Por isso, é preciso redobrar os cuidados no verão e optar por locais conhecidos, que tenham inspeção dos órgãos fiscalizadores”, ensina Cukier.

Fonte: Metrópoles


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