Como o brasileiro lida com a alta de preços da conta de luz, gás e combustível?

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 7 de julho de 2021 às 11:30
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Por vários motivos, o endividamento dos consumidores brasileiros atingirá um novo patamar nos próximos meses

Nos últimos dias os brasileiros têm sido bombardeados por uma série de aumentos em vários produtos e serviços.

Os principais afetados pelos preços elevados são a conta de luz, o gás de cozinha (GLP) e o combustível.

Uma parte do aumento desses preços pode ser justificada pelos impactos socioeconômicos causados pela pandemia da Covid-19.

A exceção fica por conta do aumento na conta de luz, que está relacionado à pior crise hídrica que o país enfrenta em 91 anos, em virtude da escassez das chuvas.

Independentemente das razões, um fato é notável: o endividamento dos consumidores brasileiros atingirá um novo patamar em um futuro próximo.

Isso porque, em meio a tudo isso, o desemprego em massa também é um agravante de toda a situação, dificultando ainda mais a capacidade dos trabalhadores em honrar com os compromissos básicos de uma casa.

Contas sem pagar

De acordo com dados apurados pelo Serasa, já foram identificadas 37 milhões de dívidas neste sentido em atraso. Este número equivale a um total de 22,3% dos débitos obtidos por brasileiros.

Para se ter uma noção da gravidade, em maio de 2020, época em que o Brasil já sofria com os efeitos da Covid-19, o percentual era de 21,60%.

Ainda que o aumento na margem de débitos não tenha tido um aumento drástico, observa-se que a tendência é para que haja um crescimento ainda maior.

Apesar de o nível de endividamento referente às contas básicas sofrer variações constantes com base em cada região brasileira, o nível de renda das famílias também deve ser considerado de acordo com a pesquisa feita pelo Serasa “O Bolso dos Brasileiros”.

Até o momento, a região com o maior índice de inadimplência é a Norte, com 29,7% de dívidas vinculadas a atrasos na conta de luz, entre outros serviços e consumos. Em segundo lugar está a região Nordeste com 25,4% das dívidas em serviços essenciais.

Endividamento

Em terceiro lugar vem a região Sudeste com 23,6%, se posicionando em um patamar preocupante, sobretudo diante de todos os recursos que possui para suprir a demanda.

Em penúltimo lugar deste ranking de endividamento está a região Centro-Oeste com 19,9% e, por último, o Sul com apenas 8,4%.

Conforme mencionado anteriormente, o endividamento cresceu junto com a pandemia da Covid-19, época em que os preços têm passado por ajustes frequentes.

A dificuldade de arcar com os novos valores começou a se agravar em março de 2020, apesar de ter havido uma queda no mês de janeiro de 2021, deixando o respectivo percentual entre 22,2% a 22,7% nos meses posteriores.

A época em que o cenário ficou mais preocupante foi em dezembro de 2020, quando a inadimplência devido à falta de recursos financeiros para custear os novos preços chegou a 23,6%, o maior índice desde janeiro de 2018.

O endividamento vinculado às contas de luz, gás de cozinha e combustíveis só não superam as dívidas junto à rede bancária nacional, que soma 62,56 milhões de brasileiros inadimplentes.


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