Por que um resfriado derruba certas pessoas, mas outras não? Estudo analisou a causa

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 19:00
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Pesquisa sugere que a resposta inicial do corpo ao rinovírus, causador do resfriado comum, pode definir a gravidade da doença

Para algumas pessoas, um resfriado comum é nada além de um incômodo passageiro: garganta estranha, nariz escorrendo e falta de disposição. Para outras, pode significar dias de incômodo, crises de asma e até dificuldade para respirar.

A diferença, segundo uma nova pesquisa, pode estar menos no vírus em si e mais na forma como o corpo reage a ele, especialmente nas primeiras horas da infecção.

O estudo em questão, publicado na revista científica Cell Press em 19 de janeiro, foi conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Yale.

O trabalho sugere que a gravidade dos sintomas causados pelo rinovírus, vírus por trás do resfriado comum, depende da velocidade com que as células do nariz ativam sua resposta imunológica inicial.

Mecanismo de defesa

“Este é um vírus que, em muitas pessoas infectadas, não causa sintomas. Muitas pessoas que o contraem sentem apenas um resfriado, com o nariz escorrendo”, disse Ellen Foxman, professora de medicina laboratorial e imunobiologia na Escola de Medicina de Yale, em entrevista à CNN.

“Mas, em certos grupos de pessoas, a infecção desencadeia uma dificuldade respiratória que coloca a vida em risco… É um vírus realmente interessante.”

O ponto central do novo estudo é a chamada “resposta ao interferon”, um mecanismo de defesa que ajuda a impedir que o vírus se espalhe pelo organismo. Quando essa resposta ocorre rapidamente, a infecção fica restrita a uma parcela mínima das células nasais, o que pode resultar em sintomas leves ou praticamente inexistentes.

Em contrapartida, quando o interferon é bloqueado ou ativado de forma tardia, o vírus consegue infectar um número muito maior de células, desencadeando inflamação intensa e produção excessiva de muco.

Resposta do organismo

Ganham o nome de interferon as glicoproteínas e citocinas produzidas pelo sistema imunológico com a função de combater invasores do organismo – entram aqui vírus, bactérias, parasitas ou tumores, por exemplo. A partir de sua ação, o organismo consegue inibir a replicação desses corpos estranhos, freando o avanço de doenças.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas cultivaram em laboratório células nasais humanas até que elas se organizassem como um tecido semelhante ao revestimento interno do nariz.

“São células reais. Se você as cultivar com a superfície exposta ao ar por quatro semanas, elas se diferenciam em um tecido que se parece exatamente com o revestimento do nariz ou o revestimento das vias aéreas do pulmão”, disse Foxman.

A equipe observou, que em condições normais, menos de 2% das células eram infectadas. Já quando a resposta inicial ao interferon foi inibida, cerca de 30% das células passaram a abrigar o vírus.

Gatilho de crises

Nesse cenário, os pesquisadores também observaram uma produção intensa de muco e sinais de inflamação, características de um resfriado mais severo.

Esses achados ajudam a explicar por que o rinovírus é um dos principais gatilhos de crises de asma e outros problemas respiratórios graves em determinados grupos de pessoas.

O estudo serve de argumento para a ideia de que não é apenas a presença do vírus que determina a gravidade da doença, mas a forma como o sistema imunológico reage logo no início da infecção.

“Nossos experimentos com organoides mostram que uma resposta rápida de interferon pelas células infectadas é extremamente eficaz para neutralizar o rinovírus, mesmo sem a presença de células do sistema imunológico”, disse, Bao Wang, estudante de doutorado no Departamento de Imunologia de Yale e membro do laboratório de Foxman, que assina o estudo, em comunicado.

Infecção

Como destacam os pesquisadores, pessoas diferentes podem ter níveis distintos de resposta ao interferon. Aquelas que têm uma resposta inicial mais forte podem apresentar apenas um resfriado e se recuperar rapidamente, enquanto as que não têm uma resposta robusta ao interferon podem desenvolver uma infecção muito mais grave.

Apesar das rescobertas, ele afirma que não está totalmente claro como alguém pode melhorar sua própria resposta ao interferon.

Segundo uma publicação da Revista Galileu, outros fatores também podem influenciar a gravidade da infecção. Certas bactérias, diferenças genéticas, doenças, condições crônicas ou se a pessoa possui imunidade prévia ao vírus podem influenciar na resposta da pessoa a um resfriado, por exemplo.


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