Quanto mais ao sul do globo, melhor será a visibilidade do chamado núcleo galáctico – a parte mais brilhante da Via Láctea
Foto da Via Láctea feita na Serra da Canastra por Daniel Rodrigues Costa Mello
Junho chegou com uma boa notícia para quem gosta de observar o céu: estamos na melhor época do ano para ver a Via Láctea. No Hemisfério Sul, este mês marca o solstício de inverno, que em 2025 ocorre no próximo dia 20. Essa é a noite mais longa do ano, e os dias próximos também têm noites mais extensas. Por isso, este período é ideal para quem quer aproveitar céus escuros e limpos para observar o espaço.
E o melhor de tudo é que, quanto mais ao sul do globo, melhor será a visibilidade do chamado núcleo galáctico – a parte mais brilhante da Via Láctea. Ou seja, o Brasil está em posição privilegiada.
É possível ver a Via Láctea a olho nu
Neste mês, o núcleo da Via Láctea aparece no céu logo após o pôr do Sol e pode ser visto durante toda a noite, principalmente em locais afastados dos centros urbanos.
Esse período é chamado pelos astrônomos de “temporada da Via Láctea” ou “Milky Way Core Season”. De acordo com a NASA, essa temporada vai de fevereiro a outubro, mas é de junho a agosto que o centro galáctico fica mais tempo visível.
É possível ver a Via Láctea até a olho nu, desde que o céu esteja limpo e sem poluição luminosa. Em vez de enxergarmos a galáxia inteira (como o espiral que aparece na perspectiva do espaço), vemos uma faixa esbranquiçada no céu. Essa faixa é o que conseguimos observar de dentro da galáxia: o disco central, com bilhões de estrelas e nuvens de poeira.
De olho no rabo do escorpião!
De acordo com o astrônomo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital, para localizar a Via Láctea, uma dica é procurar a constelação de Escorpião.
“O núcleo galáctico fica bem próximo ao final da cauda do escorpião, já na constelação de Sagitário (que é menos simples de encontrar)”.
Quem gosta de astrofotografia também deve aproveitar o momento, que permite capturar imagens incríveis com a ajuda de um tripé e câmera com longa exposição. As fotos podem revelar ainda mais detalhes, realçando as estrelas e as nuvens de poeira que compõem a galáxia.
Para facilitar a observação, é bom evitar noites com lua cheia, já que ela ofusca o brilho da Via Láctea. Prefira noites de lua nova ou minguante, quando o céu está mais escuro. Aplicativos como StellariumeSkySafariajudam a planejar o melhor horário e direção para olhar.
Segundo notícia do portal Olhar Digital, com paciência, olhos atentos e um céu limpo, é possível ter uma conexão única com o cosmos, direto do nosso próprio quintal.