Mitos sobre gravidez: excesso de conteúdos na internet gera dúvidas entre gestantes

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 26 de abril de 2026 às 18:00
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Especialista desmistifica crenças populares e reforça a importância de orientação confiável para as mães prestes a darem a luz

O volume de informações sobre gravidez nas redes sociais cresce cada vez mais. Com poucos cliques, é possível acessar relatos, vídeos, fóruns e opiniões sobre praticamente todos os aspectos desse período, do teste positivo ao pós-parto.

Ao mesmo tempo em que essa acessibilidade pode acolher e informar, também abre espaço para erros, insegurança e crenças equivocadas que se espalham rapidamente.

Nesse cenário, distinguir o que é mito e o que é fato se torna um desafio para muitas mulheres.

“A internet democratizou o acesso à informação, o que é positivo, mas também trouxe um excesso de conteúdo sem embasamento científico. Isso pode gerar ansiedade e até decisões baseadas em medo ou desinformação”, explica Graziela Abdalla, Gerente Assistencial do Hospital Maternidade Paulino Werneck.

O que é correto

Graziela esclarece alguns dos mitos mais comuns sobre gestação e trabalho de parto que circulam no ambiente digital.

Mito: cesárea é sempre mais perigosa que o parto normal

Verdade: cada via de parto tem riscos e benefícios, e a indicação deve ser individualizada

A ideia de que a cesárea é mais perigosa que o parto normal não é absoluta. A segurança depende das condições de saúde da pessoa gestante, do bebê e da condução do pré-natal.

“A cesárea é uma cirurgia e, como qualquer procedimento cirúrgico, envolve riscos, como infecção e maior tempo de recuperação. Já o parto normal, quando bem assistido e em gestações de baixo risco, tende a favorecer uma recuperação mais rápida”, enfatiza     .

Ela reforça que não existe uma escolha universal. “Cada caso é um caso e as duas opções podem ser melhores para cada paciente, a depender do cenário. Por isso, o ideal é sempre seguir a recomendação obstétrica”.

Mito: a pessoa gestante precisa comer por dois

Verdade: a qualidade da alimentação é mais importante que a quantidade

A ideia de dobrar a ingestão alimentar pode levar a excessos e impactos negativos na saúde. O aumento das necessidades calóricas existe, mas é gradual e não significa comer em dobro.

“O foco deve ser uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes. O ganho de peso precisa ser acompanhado para evitar riscos como diabetes gestacional e hipertensão”, diz.

Mito: exercício físico pode prejudicar o bebê

Verdade: atividade física orientada traz benefícios

A prática de exercícios durante a gravidez ainda gera receio, mas, na maioria dos casos, ela é recomendada. “Atividades leves a moderadas, com orientação profissional, ajudam no controle do peso, melhoram a circulação e podem até contribuir para um trabalho de parto mais tranquilo”, aponta Graziela.

Ela destaca que cada pessoa deve ser avaliada individualmente, mas o sedentarismo, na ausência de contraindicações, tende a trazer mais riscos do que benefícios.

Mito: toda gestação de risco exige repouso absoluto

Verdade: o repouso só é indicado em situações específicas

“Nem toda gestação de risco precisa de repouso absoluto. Essa é uma conduta que deve ser indicada apenas em casos específicos, como algumas alterações no colo do útero ou risco de parto prematuro”, afirma a especialista.

A restrição excessiva pode inclusive trazer prejuízos, como perda de massa muscular e impacto emocional. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.

Mito: é possível prever exatamente o dia do parto

Verdade: a data provável é uma estimativa, não uma certeza

Apesar da expectativa em torno da data do parto, a natureza segue seu próprio ritmo. “A data é uma referência baseada em cálculos, mas o nascimento pode acontecer antes ou depois. Isso é completamente normal”, pontua.

Ela reforça que essa imprevisibilidade faz parte do processo e que o mais importante é o preparo adequado, sem ansiedade excessiva em torno de um dia específico.

Mito: a dor do parto é insuportável e não há alternativas

Verdade: existem diferentes formas de manejo da dor

O medo é um dos principais fatores que influenciam a escolha pelo tipo de parto. No entanto, a ideia de sofrimento inevitável não corresponde à realidade atual.

“Hoje contamos com diversas estratégias para aliviar a dor, desde métodos não farmacológicos, como respiração e imersão em água, até analgesia, quando indicada”, explica Graziela.

Ela destaca que a experiência do parto é subjetiva e pode ser mais positiva quando há informação e acolhimento. “O preparo emocional e o suporte da equipe fazem toda a diferença nesse momento.”

Fontes confiáveis

Diante de tantos conteúdos  disponíveis, o papel dos profissionais de saúde se torna ainda mais central.

“Buscar fontes confiáveis e manter um diálogo aberto com a equipe de saúde é essencial para uma gestação mais tranquila e segura. A informação de qualidade empodera, mas precisa vir acompanhada de orientação profissional”, conclui.


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