Golpes com álbum da Copa transformam colecionadores em alvo de crimes digitais

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 1 de junho de 2026 às 19:00
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Sites falsos sobre o álbum da Copa dão acende alerta sobre golpes digitais em meio à corrida por figurinhas e promoções online

A proximidade da Copa do Mundo está a movimentar bancas, grupos de troca e plataformas online com uma das tradições mais populares do torneio: o álbum de figurinhas.

A publicação lidera o ranking nacional do setor editorial, com mais de 125 mil exemplares vendidos, segundo dados do PublishNews.

O aumento da procura abriu espaço para uma onda de golpes digitais que cresce na mesma velocidade do entusiasmo dos consumidores.

Com a corrida para completar o álbum e encontrar figurinhas raras, muitos consumidores passaram a recorrer à internet em busca de promoções, kits fechados e ofertas relâmpago.

Na urgência, o golpe

O cenário, marcado pela urgência da compra e pelo apelo emocional típico da Copa, acabou criando terreno fértil para criminosos digitais.

Dados da empresa de cibersegurança Kaspersky mostram que o número de páginas fraudulentas relacionadas à venda de figurinhas saltou de poucas dezenas para mais de 160 sites falsos ao longo de maio, acompanhando o aumento da procura por produtos ligados ao torneio.

Para especialistas em cibersegurança e direito digital, a sofisticação das fraudes é um dos principais fatores que aumentam o risco para o consumidor.

Muitos sites falsos conseguem reproduzir praticamente toda a aparência visual de lojas legítimas, enquanto promoções agressivas e mensagens de urgência aceleram decisões impulsivas de compra.

‘Gatilhos’ para o golpe

Professor Fernando Moreira, advogado especialista em Direito Empresarial, cibersegurança e direito do consumidor, explica que o comportamento impulsivo costuma ser um dos principais gatilhos explorados pelos golpistas.

“É preciso conferir cuidadosamente o endereço do site, especialmente em períodos de grande procura por produtos, eventos ou coleções que estão em alta. Golpistas costumam criar páginas muito parecidas com lojas oficiais, alterando apenas uma letra, acrescentando um hífen ou utilizando nomes quase idênticos aos verdadeiros para confundir o consumidor.”

Cenário ideal

Já Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Digital e Cibersegurança, afirma que a proximidade da Copa e a corrida para completar o álbum criam o cenário ideal para a atuação de criminosos digitais.

Segundo ele, o forte apelo emocional do torneio, somado à ansiedade por promoções e figurinhas raras, faz com que consumidores baixem a guarda diante de páginas fraudulentas cada vez mais sofisticadas.

“O crescimento desses golpes mostra como criminosos digitais exploram eventos de grande apelo emocional e consumo em massa. Copa do Mundo, lançamento de álbum e ansiedade do consumidor acabam virando uma combinação perfeita para fraudes online.

O especialista diz que “os golpes estão cada vez mais sofisticados. Muitos sites falsos hoje praticamente replicam a aparência de lojas legítimas”, afirma.

Últimas unidades

Promoções muito abaixo do mercado, pagamentos exclusivamente via PIX e ausência de informações claras da empresa também aparecem de forma recorrente nesse tipo de fraude.

Em muitos casos, páginas falsas utilizam mensagens como “últimas unidades” e “oferta válida apenas agora” para pressionar o consumidor a finalizar rapidamente a compra sem verificar a autenticidade da loja.

A pressão pela compra imediata também é um sinal de alerta. Mensagens como ‘últimas unidades’ ou ‘condição especial válida apenas agora’ são frequentemente utilizadas para induzir decisões impulsivas.

“Os métodos de pagamento merecem atenção especial: desconfie de sites que oferecem apenas PIX como forma de pagamento, sem outras alternativas mais seguras”, alerta Moreira.

Identificando o golpe

Alexander Coelho acrescenta que o próprio destinatário da transferência pode ajudar o consumidor a identificar tentativas de golpe antes mesmo da conclusão da compra.

Segundo ele, muitos fraudadores utilizam contas sem qualquer vínculo com a marca anunciada para receber os pagamentos.

“Outro cuidado importante é conferir para quem o pagamento está sendo enviado. Em muitos golpes, o PIX é direcionado para contas de pessoas físicas ou empresas que não têm qualquer vínculo com a marca anunciada, o que já representa um forte sinal de alerta para o consumidor”, acrescenta Alexander Coelho.

Além do impacto financeiro direto aos consumidores, o avanço desse tipo de fraude também amplia discussões sobre responsabilidade digital de plataformas, mecanismos antifraude e monitoramento de transações suspeitas dentro do ecossistema online.

Entendimento jurídico

Especialistas apontam que o crescimento recorrente desse tipo de golpe vem fortalecendo o entendimento jurídico sobre o dever de prevenção e segurança nas operações digitais.

O entendimento dos tribunais brasileiros vem evoluindo no sentido de exigir maior dever de segurança, prevenção à fraude e monitoramento de transações suspeitas, especialmente em operações via PIX.

“Se houver falha nos mecanismos antifraude, omissão diante de sinais evidentes de fraude ou deficiência nos sistemas de segurança, pode haver responsabilização com fundamento no Código de Defesa do Consumidor e na teoria do risco da atividade.”

Segundo Alexander Coelho, plataformas digitais e redes sociais também passaram a entrar no radar jurídico em situações envolvendo anúncios enganosos e impulsionamento de conteúdo fraudulento.

“A discussão atual não envolve apenas quem aplicou o golpe, mas também quem permitiu, monetizou ou facilitou a circulação daquele conteúdo fraudulento sem mecanismos mínimos de verificação.”

Redução de riscos

Para reduzir os riscos, especialistas recomendam pesquisar a reputação da loja antes da compra, verificar avaliações de outros consumidores e evitar links enviados por mensagens ou aplicativos.

“Antes de concluir a compra, o ideal é pesquisar o nome da loja no Google, no Reclame Aqui e nas redes sociais, além de verificar avaliações de outros consumidores. Também é recomendável evitar links enviados por mensagens ou aplicativos, já que muitos golpes começam justamente por esses canais”, orienta Fernando Moreira.

“No fim do dia, segurança digital não pode existir apenas na publicidade institucional. Quando fraudes se repetem em larga escala dentro do ecossistema digital, a responsabilidade jurídica inevitavelmente começa a alcançar todos os agentes envolvidos na cadeia”, conclui Alexander Coelho.


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