Deslocamentos de curta distância e trajetos conhecidos aumentam a confiança do motorista e estão associados a risco nas rodovias
O feriado de Tiradentes, celebrado em 21 de abril, deve movimentar milhares de motoristas nas rodovias brasileiras, especialmente em deslocamentos curtos e viagens de “bate e volta”.
Apesar da aparente simplicidade desses trajetos, autoridades da segurança alertam que a familiaridade com o percurso pode aumentar o risco de sinistros.
Dados recentes da Polícia Rodoviária Federal mostram que excesso de velocidade, uso de celular ao volante e ultrapassagens indevidas seguem entre as principais causas de sinistros graves nas rodovias.
Durante a operação Rodovida 2025/2026, por exemplo, foram registradas mais de 1,2 milhão de infrações por velocidade acima do permitido, em 66 dias. Dados da PRF também mostram que o Brasil registrou, em média, 199 sinistros e 16 mortes por dia nas rodovias federais no ano de 2025.
Falsa sensação de segurança
Fazer uso das rodovias diariamente é rotina para muitos condutores em todo o país. Mas é sabido que o fluxo de veículos aumenta, e muito, em feriados.
Nesses casos, Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, alerta que o perigo aumenta com a falsa sensação de segurança.
“Em trajetos curtos ou conhecidos, o motorista tende a relaxar a atenção, dirigir com mais confiança e até negligenciar regras básicas. É justamente nesse cenário que ocorrem muitos dos sinistros completamente evitáveis”, afirma.
Outro ponto de atenção é justamente o aumento do fluxo em rodovias secundárias e vias de acesso a regiões turísticas, que muitas vezes não possuem a mesma estrutura de fiscalização e sinalização das principais rodovias. Nesses trechos, o foco precisa ser ainda maior, especialmente em cruzamentos, curvas e áreas urbanas.
Como fazer
A recomendação dos especialistas é que o motorista mantenha o mesmo nível de atenção independentemente da distância do trajeto, respeitando os limites de velocidade e as leis de trânsito, evitando distrações e adotando condução defensiva.
“Não existe deslocamento isento de risco. O que existe é a forma como cada motorista escolhe se comportar no trânsito”, complementa Campos.