Relações amorosas são construídas com o tempo e, assim como a vida profissional, precisam de atenção e investimento
Especialistas desmistificam o “amor à primeira vista”, alertam sobre o medo de recomeçar e defendem que relacionamento real se constrói na convivência (Foto Shutterstock)
O início de um relacionamento amoroso costuma ser cercado por uma pergunta frequente: “Será que essa é a pessoa certa para mim?”.
No entanto, psicólogas especializadas em relações conjugais afirmam que o “ponto de virada” ou a certeza absoluta antes de assumir um compromisso simplesmente não existem. Mais do que isso: não é preciso estar amando para começar a namorar, pois o amor verdadeiro é uma construção que demanda tempo e convivência.
Dar uma chance à incerteza foi o caminho que uniu a advogada Andrea Lopes, 52, e o economista Luiz Fernando Figueiredo, 62. Eles se conheceram pelas redes sociais e, devido às restrições da pandemia, decidiram passar a quarentena juntos em uma casa de campo logo no início do romance.
O “test drive” forçado revelou afinidades e acelerou a convivência. Hoje, casados, eles uniram suas famílias e compartilham a rotina ao lado dos seis filhos de casamentos anteriores.
Paixão é Imediata; Amor é Construção
Para Marta Carmo, psicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento com ênfase em casal e família, a ideia romantizada do “amor à primeira vista” pode ser prejudicial, pois cria expectativas pautadas em ilusões.
“Ninguém começa amando. O que existe inicialmente é paixão ou atração. O amor é construído no decorrer da relação, principalmente quando o casal aprende a lidar com as adversidades e com as diferenças reais do outro”, explica a psicóloga.
De acordo com as especialistas, as relações duradouras exigem investimento emocional contínuo, de forma muito semelhante ao cuidado que se dedica à carreira profissional. Acompanhar o amadurecimento mútuo e realinhar as cobranças e parcerias faz parte do crescimento saudável do casal.
O Perigo do Medo de Recomeçar
Um dos grandes entraves para a felicidade afetiva na vida adulta é o receio da frustração e do recomeço. A psicanalista Fabiana Ratti, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, aponta que muitos indivíduos permanecem presos a relacionamentos desgastados ou destrutivos apenas para evitar o desconhecido.
O medo de voltar a sair com pessoas novas, de enfrentar a solidão temporária ou de reiniciar a jornada faz com que muitos abram mão de encontrar um parceiro genuíno. Deixar o passado no seu devido lugar e encarar os ex-namorados como parte do amadurecimento pessoal é fundamental para seguir em frente.
O conselho das especialistas para a vida amorosa é claro:
Permita-se arriscar: Ficar paralisado na dúvida alimenta apenas relacionamentos platônicos e fantasias;
Dialogue sempre: Alinhar as expectativas e os projetos de vida evita crises futuras;
Tenha coragem: Independentemente da idade ou do histórico familiar, os casais que enfrentam a realidade juntos são os que criam raízes mais profundas.