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Cidades pacatas lideram ranking de isolamento social no interior paulista

  • Bernardo Teixeira
  • Publicado em 10 de março de 2021 às 19:00
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Município de 52 mil habitantes na região de Franca, São Joaquim da Barra lidera o ranking de isolamento social em todo o estado

O movimento na região central da cidade tem sido intenso em dias de pagamento, mas nos demais dias o cenário reflete o clima pacato do interior paulista.

Município de 52 mil habitantes na região de Franca, São Joaquim da Barra lidera o ranking de isolamento social em todo o estado, segundo o sistema de monitoramento do governo paulista.

Com 64% de isolamento, a cidade é a primeira colocada numa lista que tem nas primeiras 19 posições municípios com no máximo 91 mil habitantes. As informações são do repórter Marcelo Toledo, da Folhapress.

“A Covid-19 é algo que não conseguimos controlar. Não é como dengue, que você tem de controlar o mosquito. Com ela, o único meio é fazer com que a pessoa fique dentro de casa. O índice é bom, mas estamos estudando formas de melhorar isso”, disse José Eduardo de Castro, diretor de Saúde de São Joaquim da Barra.

Em seguida no ranking aparecem Batatais, com 58% de isolamento na segunda-feira (8), Mococa (56%), Bebedouro (55%), Itararé e São José do Rio Pardo (54%), São Sebastião e Taquaritinga (53%), Penápolis (52%) e Monte Mor (51%).

A única cidade com mais de 100 mil habitantes na lista das campeãs de isolamento é Leme, com 104 mil moradores. É a 20ª colocada, com índice de 46%. A média do estado está em 42%.

De acordo com Castro, a população local tem acatado as decisões tomadas pelas diretorias de Saúde e Educação, mas uma dificuldade tem sido conter aglomerações em barzinhos.

“A molecada parece que não quer entender que a situação está complicada, mas o isolamento mostra que em supermercados e comércio a gente tem conseguido segurar.”

Uma das preocupações na cidade é que o índice de habitantes com 60 anos ou mais, população que até aqui concentra internações e mortes provocadas pela Covid-19, supera a média do estado, conforme dados da fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

Enquanto o estado tem média de 15,75%, na cidade ele chega a 16,61%.

O último dia em que a cidade ficou abaixo de 60% em isolamento foi em 19 de fevereiro, quando alcançou 59%.

Controlar, ou tentar, a incidência do novo coronavírus é essencial devido ao cenário hospitalar provocado pela Covid-19 na cidade.

Os 9 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) vinculados ao SUS (Sistema Único de Saúde) na Santa Casa de Misericórdia da cidade estão ocupados, com cinco moradores locais e quatro de municípios da região.

“Acreditamos que as medidas de isolamento dão resultado. Temos 36 óbitos até aqui, menos do que cidades do mesmo porte”, disse o diretor.

Quem atua no comércio também afirma que o cenário é de redução na circulação de pessoas nas ruas.

“Caiu bastante o fluxo geral na cidade, sim. O comércio só atende delivery e drive-thru. Quando é época de pagamento enche mais, mas de resto está bem pacata a cidade”, disse Talia Ferreira, 22, gerente de loja.

Ela afirmou que, em sua área, de assistência técnica em equipamentos como celulares, o fluxo de consumidores se manteve, mas por conta das aulas online nas escolas. “O pessoal não fica sem eletrônico.”

Já em Mococa, terceira no ranking, o fato de a Covid-19 ter infectado pessoas mais conhecidas na cidade aproximou a doença das famílias e contribuiu para o isolamento, na avaliação do diretor municipal de Saúde, Luiz Nicanor Bettiol Junior.

“Houve também óbitos de pessoas relativamente jovens, de família bastante conhecida na cidade. Isso trouxe comoção e, de certa forma, fez com que houvesse um índice maior de isolamento.”

Conforme ele, também contribuíram campanhas mais intensivas feitas em redes sociais e órgãos de comunicação, além de ações da Vigilância Sanitária, da Guarda Civil e da Polícia Militar.

Na cidade, os leitos de UTI estão lotados há duas semanas e vagas extras estão sendo criadas às pressas para tentar atender a demanda.

Com 10 leitos na UTI exclusiva para Covid-19, a cidade chegou a ter 14 internados. Para que isso fosse possível, dois pacientes foram colocados em leitos de UTI geral, isolados, e outros dois em vagas criadas rapidamente.

“Temos superlotação na UTI e não vemos mudança nesse perfil. Toda a atuação de hoje terá reflexo daqui a uma semana, mas, em UTIs, só em 14 ou 15 dias. Os índices ainda são de risco. O melhor era que a gente conseguisse mais isolamento.”

Por outro lado, há cidades com índices na casa dos 40% que têm sofrido ainda mais para conseguir isolar seus moradores.

É o caso de Pirassununga, por exemplo, onde a Secretaria da Segurança Pública iniciou na última sexta-feira (5) uma operação para coibir irregularidades.

Batizada de “Entendeu? Inferno!”, a operação interditou 11 estabelecimentos nos três primeiros dias de funcionamento.

“Temos feito constantemente ações para conscientizar a população, mas, como só na conscientização não tem dado certo, partimos para multas e fechamento do comércio”, afirmou Paulo Tannús, secretário da Segurança Pública da cidade.

Segundo ele, as pessoas têm contribuído com o horário do toque de recolher estabelecido – 20h –, mas, ainda assim, quatro moradores foram autuados no final de semana.

“Diminuiu bastante, mas ainda tem um ou outro que insiste em circular sem comprovar a real necessidade de estar na rua naquele momento”, disse.


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