Câncer: 1º paciente humano é vacinado com vírus que mata vários tipos de tumores

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 28 de maio de 2022 às 11:30
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O primeiro teste em um ser humano sela o início dos estudos clínicos de fase 1 que visam desenvolver tratamento para tumores de câncer de cólon, pulmão, mama, ovário e pâncreas

Foi realizado o primeiro teste em humanos com vírus que promete matar células cancerígenas

 

Cientistas dos Estados Unidos e da Austrália realizaram o primeiro teste, em humanos, de vírus que promete matar células cancerígenas, depois de testes bem sucedidos em animais, com redução de tumores de cólon, pulmão, ovário e pâncreas.

Conhecido como Vaxinia, o organismo geneticamente modificado pode replicar e eliminar as células desorganizadas enquanto preserva as saudáveis, segundo pesquisadores da empresa de biotecnologia Imugene e do Centro de Pesquisa e Tratamento do Câncer City of Hope, em Los Angeles, nos Estados Unidos. ​​

O primeiro teste em um ser humano sela o início dos estudos clínicos de fase 1 que visam desenvolver tratamento para tumores de câncer de cólon, pulmão, mama, ovário e pâncreas.

Os pesquisadores dizem que o vírus pode controlar o sistema imunológico e aumentar o nível de uma proteína chamada PD-L1 em tumores, o que deve tornar essa terapia mais eficaz.

“Nossa pesquisa anterior demonstrou que os vírus oncolíticos podem estimular o sistema imunológico a responder e matar o câncer, bem como estimular o sistema imunológico a ser mais responsivo a outras imunoterapias, incluindo inibidores de checkpoints”, disse Daneng Li MD, chefe da pesquisa e professor assistente do Departamento de Oncologia Médica e Pesquisa Terapêutica da Cidade da Esperança.

Tumores eliminados

A Vaxinia, ou CF33-hNIS VAXINIA, é um tipo de ‘vírus oncolítico’ – um vírus encontrado na natureza que foi geneticamente modificado especificamente para combater o câncer.

Os testes em animais mostraram que a Vaxinia foi capaz de reduzir o tamanho de tumores de câncer de cólon, pulmão, mama, ovário e pâncreas.

E o melhor é que, ao contrário de outros tratamento, a Vaxinia conseguiu estimular o sistema imunológico do paciente e aumentar o nível de uma proteína chamada PD-L1 em ​​tumores, tornando a imunoterapia mais eficaz contra o câncer.

“Agora é a hora de aumentar ainda mais o poder da imunoterapia, e acreditamos que o CF33-hNIS tem o potencial de melhorar os resultados para nossos pacientes em sua batalha contra o câncer.”

Fase 1

O ensaio clínico de Fase 1 pretende recrutar 100 pacientes com câncer com tumores sólidos metastáticos, ou avançados, em aproximadamente 10 locais nos Estados Unidos e na Austrália.

A previsão é que esta estapa dure aproximadamente 24 meses, ou 2 anos.

Os pacientes começarão recebendo uma dose baixa de Vaxinia, seja como uma injeção diretamente nos tumores, ou por via intravenosa.

Uma vez demonstrada a segurança da Vaxina, alguns participantes também receberão um medicamento de imunoterapia chamado pembrolizumab, que melhora a capacidade do sistema imunológico de combater as células cancerígenas.

“Curiosamente, as mesmas características que eventualmente tornam as células cancerígenas resistentes à quimioterapia ou tratamento de radiação, na verdade, aumentam o sucesso de vírus oncolíticos, como o CF33-hNIS”, disse Yuman Fong, diretor de oncologia cirúrgica na City of Hope e o principal desenvolvedor do vírus geneticamente modificado.

O ensaio clínico utilizou coxsackievirus vivo, um dos muitos vírus que podem causar um resfriado comum, em combinação com pembrolizumab.

Os pesquisadores dizem que a combinação reduziu os tumores de melanoma em quase metade (47%) de 36 homens e mulheres que receberam a terapia em poucas semanas, por pelo menos dois anos.

*Informações Isto É Dinheiro


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