Sintomas que afetam a rotina e a vida sexual podem ter diferentes causas, e entender isso é o primeiro passo para definir o tratamento
E se o desconforto que aparece ao vestir uma calça mais justa, pedalar, correr ou ter uma relação sexual não fosse apenas uma questão de sensibilidade?
Para algumas mulheres, a sensação de atrito, pressão ou dor se repete em situações específicas e, nesse cenário, investigar a origem do sintoma é mais importante do que simplesmente aprender a conviver com ele.
“Quando a paciente identifica situações que provocam ou pioram o desconforto, essa informação é relevante. Ela nos ajuda a entender se existe uma relação com o contato, a pressão ou o movimento e direciona a investigação”, diz a Dra. Mariana Macedo, ginecologista e especialista em cirurgia íntima.
De acordo com a profissional, a região vulvar está constantemente sujeita a atrito e pressão, mas a intensidade da resposta varia entre as mulheres.
Mais detalhes
Características dos pequenos lábios e de outras estruturas podem contribuir para o desconforto em algumas situações, enquanto outras pacientes apresentam sintomas provocados por condições ginecológicas sem relação direta com a anatomia.
Por isso, a avaliação não se resume ao exame físico. Histórico, frequência dos sintomas, situações em que aparecem e impacto na rotina ajudam a construir o diagnóstico.
“Dor, ardência ou irritação são sintomas, não diagnósticos. Antes de atribuir uma queixa à anatomia, precisamos investigar outras possibilidades e entender exatamente como aquele desconforto se manifesta”, afirma.
Como identificar quando o desconforto exige avaliação?
Um dos principais sinais de que vale buscar auxílio médico é a interferência na qualidade de vida. Se a mulher deixa de praticar uma atividade, modifica constantemente as roupas que usa ou evita relações sexuais por causa do desconforto, a situação merece atenção.
Quando existe uma relação clara entre a queixa e uma característica anatômica, procedimentos como ninfoplastia, labioplastia e vulvoplastia podem entrar na discussão.
A escolha depende da estrutura envolvida e do tipo de incômodo apresentado: enquanto as duas primeiras abordagens estão relacionadas à redução ou remodelação dos pequenos lábios, a vulvoplastia envolve outras estruturas da região.
Palavra da especialista
“São procedimentos com objetivos diferentes e não devem ser tratados como sinônimos. Na redução ou remodelação dos pequenos lábios, por exemplo, precisamos definir quanto tecido deve ser preservado e qual técnica permite corrigir o ponto de atrito sem comprometer a sensibilidade ou a função”, explica a médica.
Segundo a especialista em cirurgia íntima, “quando a queixa envolve outras estruturas da vulva, o planejamento muda. Por isso, não existe uma técnica única, o procedimento é escolhido a partir da anatomia e da queixa de cada paciente”.
O objetivo, quando há indicação, é reduzir a interferência desses sintomas na vida cotidiana. Isso pode significar voltar a usar determinadas roupas sem desconforto, praticar exercícios sem a preocupação constante com atrito ou viver a relação sexual sem antecipar dor.
Mudança anatômica
“Quando a paciente chega relatando que deixou de correr, pedalar ou usar certas roupas por causa do atrito, ou que passou a evitar relações por desconforto, olhamos para a cirurgia como uma possibilidade de recuperar qualidade de vida”, acrescenta a ginecologista.
Ela diz que “o resultado que buscamos não é apenas uma mudança anatômica, mas permitir que aquela mulher volte a fazer atividades que estavam sendo limitadas pelo sintoma”.
A recuperação também exige um período de adaptação, com cuidados específicos e retorno gradual às atividades físicas e sexuais.
O acompanhamento médico ao longo desse processo é essencial, pois permite avaliar a cicatrização e a evolução do resultado.