Incontinência urinária feminina: quais são as causas e os tratamentos indicados

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 12 de setembro de 2026 às 19:00
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Problema afeta mulheres de várias idades; fisioterapia pélvica e cadeira de estimulação eletromagnética estão entre as opções

Uma risada, um espirro ou uma corrida podem terminar com um pequeno escape de urina. Embora a situação seja comum, ela não deve ser encarada como consequência inevitável da maternidade ou do envelhecimento.

Um protocolo assistencial do Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, elaborado para orientar o diagnóstico e o tratamento com base em evidências científicas, estima que a incontinência urinária afete entre 10% e 50% das mulheres adultas.

O documento também aponta que muitas pessoas convivem com o problema por seis a nove anos antes de procurar atendimento.

Bruna Paschoalim, médica ginecologista e especialista em estética íntima feminina, explica que o silêncio costuma ser alimentado por vergonha e desinformação.

Perda involuntária

“Muitas mulheres perdem urina ao tossir, rir, correr ou treinar e acreditam que isso é normal porque tiveram filhos ou estão envelhecendo. Esse sintoma precisa ser investigado, porque existem tratamentos capazes de melhorar o controle urinário e devolver segurança às atividades do dia a dia”, afirma.

A incontinência urinária é caracterizada pela perda involuntária de urina e pode aparecer de diferentes maneiras. A forma de esforço ocorre quando o escape acompanha o aumento da pressão abdominal, como durante tosse, espirro, salto, corrida ou levantamento de peso.

Na incontinência de urgência, a vontade de urinar surge de maneira súbita e difícil de controlar. Há ainda a modalidade mista, que reúne características das duas anteriores.

Gestação, parto vaginal, menopausa, excesso de peso, constipação, tosse crônica, cirurgias pélvicas e alterações na sustentação dos órgãos podem favorecer o quadro. A idade também influencia, mas não transforma o escape urinário em algo obrigatório.

Investigação

Mulheres jovens, inclusive aquelas que praticam atividades de alto impacto, também podem apresentar sintomas relacionados à sobrecarga ou à dificuldade de coordenar a musculatura do assoalho pélvico.

A investigação começa pela história clínica, pelo exame ginecológico e pela identificação das situações em que as perdas acontecem. Um diário miccional, com o registro dos horários, da ingestão de líquidos, da urgência e dos episódios de escape, pode ajudar a diferenciar os tipos de incontinência.

Exames complementares são reservados para situações específicas, como dúvidas no diagnóstico, sintomas persistentes ou planejamento cirúrgico.

O treinamento supervisionado dos músculos do assoalho pélvico permanece entre as principais medidas conservadoras.

Pulsos eletromagnéticos

O cuidado pode incluir fisioterapia pélvica, exercícios de fortalecimento e coordenação, treinamento da bexiga e mudanças de hábitos, conforme o tipo de incontinência.

Controle do peso, tratamento da constipação e ajuste do consumo de substâncias que irritam a bexiga, como cafeína e álcool, também podem fazer parte da orientação.

Entre os recursos mais recentes está a chamada cadeira Emsella, que utiliza pulsos eletromagnéticos para provocar contrações repetidas da musculatura pélvica. A paciente permanece sentada e vestida durante a aplicação, sem necessidade de introdução de dispositivos.

“A tecnologia funciona como um treinamento intensivo da região íntima. Enquanto a mulher está sentada, são realizadas milhares de contrações musculares sem esforço voluntário. O objetivo é melhorar o recrutamento e a força dessa musculatura, sempre dentro de um plano definido após avaliação”, explica Bruna.

Revisão

Os resultados variam de acordo com o diagnóstico, a intensidade dos sintomas e a resposta individual. Uma revisão sistemática publicada em 2025 encontrou melhora de sintomas e da qualidade de vida com a estimulação eletromagnética extracorpórea.

A diretriz da Associação Americana de Urologia, porém, classifica essa modalidade como emergente e ressalta que as evidências ainda são inconsistentes. Por isso, a cadeira não substitui o diagnóstico nem deve ser indicada como solução única para todas as pacientes.

Medicamentos, dispositivos de suporte e procedimentos cirúrgicos também podem ser considerados, principalmente quando as medidas conservadoras não alcançam o resultado esperado.

Procurar avaliação logo nos primeiros episódios evita anos de restrições, como abandonar exercícios, reduzir o convívio social ou depender continuamente de absorventes. Mesmo perdas pequenas merecem atenção quando se repetem ou começam a interferir na rotina.


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