Após câncer na medula, morre aos 66 anos no Rio de Janeiro, o cantor Luiz Melodia

  • Entre linhas
  • Publicado em 4 de agosto de 2017 às 11:00
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:17
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Ele chegou a fazer um transplante de medula óssea, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia

A semana termina triste no meio da música. Desta vez, se despediu dos palcos, o cantor, compositor e músico carioca Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia.

Ele morreu durante a madrugada desta sexta-feira, 04 de agosto, por volta das 05h, aos 66 anos de idade. O músico lutava contra um câncer que atacou a medula óssea.

Melodia chegou a fazer um transplante de medula óssea e resistiu ao procedimento, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia.

O compositor foi internado no dia 28 de março no Hospital Quinta D’Or, na Zona Norte, para fazer sessões de quimioterapia no combate a um mieloma múltiplo (tipo de câncer de sangue), diagnosticado meses antes.

Segundo boletim médico divulgado na época pela produção do músico, com o início da quimioterapia, houve uma baixa glicêmica e acidez sanguínea. Por isso, o cantor permaneceu internado no CTI. O câncer voltou e o estado de saúde de Melodia se agravou bastante nesta última quinta-feira, 03 de agosto.

O velório de Luiz Melodia será realizado na quadra da escola de samba Estácio de Sá. É que ele nasceu no Morro do São Carlos, no Estácio, Região Central do Rio. Sua ligação afetiva com o berço foi eternizada por ele em uma de suas mais célebres canções, “Estácio, Holly Estácio”, na qual determinava que “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”.

Trajetória

O músico nasceu em 7 de janeiro de 1951 no Morro do Estácio, no Rio de Janeiro. Filho único, começou sua caminhada na música após ver seu pai tocando em casa. O menino Luiz Carlos dos Santos cresceu jogando bola na favela e dançando nas rodas com os músicos da escola de samba Estácio de Sá.

“A primeira influência que eu tive foi do meu pai, meu pai era um boêmio da época. E já compunha, já tocava. Os primeiros acordes aprendi com o meu pai. Quer dizer, a referência musical veio mesmo do Seu Oswaldo, Oswaldo Melodia”, disse o cantor e compositor em entrevista ao Bom Dia Rio.

O cantor abandonou o ginásio (atual ensino médio) e passou a adolescência compondo e tocando sucessos da Jovem Guarda e Bossa Nova, além de mergulhar no mundo do samba, o que gerou um estilo musical diferenciado e único do artista.

Em 1972, os amigos poetas Wally Salomão e Torquato Neto levaram uma composição de Luiz Melodia para Gal Costa. Ela adorou, gravou e a música virou um sucesso. No palco, a música foi cantada ao lado de Cássia Eller.

Ao Fantástico, Luiz Melodia recordou a composição. “Pérola Negra é uma mulher. Mas tinha composto pra uma menina que eu namorava na época em que estava servindo o Exército. A mulher brasileira é uma fonte, posso dizer assim, de inspiração em cinquenta por cento das minhas composições”, disse.

Em seguida, Maria Bethânia interpretou “Estácio Holly Estácio”. Foi nessa época que Luiz Carlos dos Santos assumiu o Melodia no nome.

Na década de 1980, lançou diversos álbuns e fez apresentações em festivais na França e na Suíça. Em 2003, Luiz Melodia gravou um disco ao vivo com participações especiais de Zeca Pagodinho, Zezé Motta, Luciana Mello entre outros artistas.

Em 2017, Luiz Melodia lançou “Zerima”, seu último disco. O álbum veio após 13 anos sem o artista lançar uma faixa inédita e contou com participação da cantora Céu.

*Com informações do Globo


+ Um Toque a +