Em São Paulo sindicato já registrou 264 homologações da C&A só na Capital
Após o surgimento de rumores de mercado, a companhia de moda confirmou que pretende fechar 12 pontos de venda no Brasil nas próximas semanas e meses.
O Jornal da Franca manteve contato às 10h50 da manhã de hoje (9) com a responsável pela assessoria de imprensa da C&A, a RP1 Comunicação que solicitou que o pedido de informação também fosse feito via e-mail, que foi enviado às 10h53.
O JF continua aguardando a resposta que pretende confirmar a inclusão ou não da loja de Franca na lista daquelas que terão suas atividades encerradas.
Não se informou ainda quantos funcionários seriam atingidos por eventual fechamento da loja C&A em Franca e se, a exemplo do que aconteceu com lojas Walmart, os funcionários teriam a opção de serem remanejados para outras lojas.
A C&A, que é líder do segmento, demitiu na semana retrasada cerca de 260 funcionários.
Até o fechamento desta matéria inicial ainda não havia resposta oficial por parte da assessoria de imprensa da rede de lojas ao pedido de informação do JF.
Outras grandes redes de varejo têm encerrado operações de lojas cujos resultados de vendas são considerados insatisfatórios. Ainda no segmento de moda, a Marisa fechou ao todo 15 unidades em 2015.
O Pontofrio, uma das bandeiras de eletroeletrônicos do Grupo Pão de Açúcar (GPA), fechou 45 pontos em 2015, inclusive no Centro de Franca.
O Walmart anunciou o encerramento das operações de 60 lojas no Brasil no início deste ano, mas neste caso a unidade de Franca não foi atingido pelos cortes de unidades.
C&A diz que é “rotina”
A C&A justificou em comunicado genérico que o movimento de análise de desempenho de lojas faz parte da rotina do negócio e que abrir ou fechar lojas é algo inerente ao mercado.
“Nos últimos 12 meses, a empresa abriu 18 novas unidades e a previsão é que, ao longo de 2016, descontinue a operação de 12, mantendo a sua capilaridade no Brasil”, diz a companhia, que tem no País mais de 280 pontos de venda.
Enxugamento
Em relatório publicado na sexta-feira (4), analistas do BTG Pactual trataram do enxugamento de operações no varejo e mencionaram informações de mercado de que a C&A fecharia ainda mais unidades, o que a companhia negou.
O cenário de recessão fez quase 100 mil lojistas encerrarem as atividades no País em 2015, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Já os analistas Fabio Monteiro e Thiago Andrade, do BTG, calculam que, depois de um ciclo de expansão que mais que dobrou o total de lojas do comércio brasileiro entre 2004 e 2014, o varejo registrou seu primeiro ano de redução na base, perdendo 13,4% do total de lojas em 2015.
No varejo de moda, há ainda o fechamento de operações de redes estrangeiras que tinham chegado ao país há pouco tempo.
A britânica Topshop, por exemplo, chegou ao Brasil em 2012 e vem fechando lojas. A grife Kate Spade também fechou sua loja no País ano passado.
Reduções
O BTG calculou ainda que, do lado dos investimentos em inaugurações, o ritmo de abertura de lojas novas das grandes redes varejistas tende a continuar fraco neste ano.
Para os analistas, as exceções são companhias que têm apresentado desempenho acima da média do setor, como a Lojas Renner, a Raia Drogasil e a Lojas Americanas.
Do lado dos que estão reduzindo as inaugurações estão empresas como Marisa, Cia. Hering, Via Varejo e Magazine Luiza, destacam os analistas.
Marisa e outras
A retração nas vendas do comércio varejista que teve no 1º trimestre deste ano o pior desempenho para o período desde 2003, começa a se refletir no emprego, especialmente no segmento de artigos de vestuário, que acumula queda de 3% entre janeiro e março.
A C&A, líder do segmento, demitiu na semana retrasada cerca de 200 funcionários. A direção da varejista não confirma os números, mas informa, por meio de comunicado, que “adequou o seu quadro de funcionários em virtude do atual cenário econômico”.
Fora os cortes mais recentes, de janeiro até o dia 20 de maio, o Sindicato do Comerciários de São Paulo registrou 264 homologações da C&A só na capital paulista, um número quase 60% maior em comparação com o mesmo período de 2014.
O processo de homologação ocorre quando o trabalhador está há mais de um ano na empresa e a demissão tem que passar pelo sindicato.
Na Lojas Marisa os cortes foram maiores. Nas contas do sindicato, foram 391 homologações de janeiro até 20 de maio, um volume 83,5% maior em comparação a 2014.
A empresa também não confirma os números, mas admite que “com o objetivo de buscar ganhos de produtividade e eficiência, realizou adequação no quadro de colaboradores para o cenário deste ano”. Segundo a Marisa, não há planos de mais cortes.