Passa horas vendo vídeos curtos bobos? Saiba o que a ciência diz sobre o ‘brain rot’

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 27 de junho de 2026 às 19:30
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Pesquisas vêm mostrando os males dos celulares para nós, mas será que eles conseguem realmente “apodrecer” nossos cérebros?

Entenda o que é ‘brain rot’ e como o consumo exagerado de vídeos bobos em redes sociais e inteligência artificial afeta o desenvolvimento cerebral de jovens (Foto Arquivo)

 

O hábito de deitar na cama ou sentar no transporte público após um dia cansativo e passar horas consumindo vídeos curtos e sem sentido virou rotina para milhões de pessoas.

Na internet, essa prática recebeu o nome de brain rot (ou “cérebro apodrecido”, em tradução livre), uma gíria que ironiza o ato de desligar a mente diante de conteúdos repetitivos, incluindo personagens gerados por inteligência artificial que viralizam entre o público infantil.

Embora o termo tenha surgido como piada nas redes sociais, a comunidade médica e pesquisas científicas recentes indicam que o fenômeno traz prejuízos reais para a saúde neurológica.

O governo dos Estados Unidos, por meio de alertas do Cirurgião-Geral, já adverte formalmente sobre os malefícios do uso desregulado de telas, apontando impactos severos causados por redes sociais, jogos digitais e ferramentas interativas.

Riscos para a Saúde de Adolescentes

Os impactos são medidos de forma mais intensa entre os adolescentes. Monitoramentos realizados pela Universidade da Califórnia, em São Francisco, revelam que aplicativos educacionais costumam ficar no fim da lista de interesse dos jovens dentro do ambiente escolar, enquanto as redes sociais dominam os acessos.

Em paralelo, pesquisas internacionais apontam que um em cada três estudantes na faixa dos 15 aos 19 anos já demonstra sintomas claros de vício em celulares, o que interfere diretamente no sono, nos estudos e nas relações sociais.

Análises feitas a partir do projeto ABCD (Adolescent Brain Cognitive Development), publicadas no American Journal of Preventive Medicine, associam o tempo excessivo de tela a um risco significativamente maior de desenvolvimento de quadros de depressão, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e distúrbios alimentares nessa faixa etária.

O Papel da Inteligência Artificial e a Concentração

A popularização recente de assistentes virtuais e chatbots de inteligência artificial introduziu uma nova vertente ao debate. Especialistas começam a mapear o risco de a IA funcionar como um substituto do esforço cognitivo humano.

Embora o campo de estudo seja recente, relatórios preliminares indicam que a dependência exagerada dessas ferramentas automáticas para a resolução de tarefas simples tende a reduzir de forma gradual a atividade cerebral ativa.

Apesar do cenário de alerta, pesquisadores ponderam que os danos podem ser mitigados. Testes de comportamento demonstram que jovens expostos a múltiplas telas conseguem manter o mesmo nível de concentração de seus pares de hábitos analógicos, desde que não realizem tarefas simultâneas.

O critério decisivo para a saúde mental reside na qualidade do uso, priorizando conteúdos que gerem aprendizado e conexões humanas reais.

Fonte: Extra