Franca é um dos principais municípios produtores de calçados masculinos no país e tem tradição na exportação do produto
A indústria calçadista brasileira voltou a registrar queda nas exportações em maio, cenário que acende o alerta entre empresários de Franca e de todo o país.
Segundo dados do setor, foram embarcados 6,42 milhões de pares no mês, gerando US$ 64,53 milhões, o que representa recuo de 5,2% em volume e de 17,4% em receita na comparação com o mesmo período de 2025.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o desempenho segue negativo. As exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, com quedas de 10,7% em volume e 18,3% em receita frente ao mesmo intervalo do ano passado.
Opinião
De acordo com o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o cenário reflete impactos ainda recentes da política tarifária dos Estados Unidos, principal destino do calçado brasileiro, além de dificuldades no mercado argentino. Mesmo com a retirada, em fevereiro, da tarifa adicional de 40% para produtos brasileiros, o setor ainda não conseguiu retomar os níveis anteriores a 2025.
O dirigente explica que há um intervalo natural entre pedidos, produção e embarques, o que faz com que parte das exportações registradas entre março e maio ainda seja reflexo de decisões comerciais tomadas durante o período de vigência das tarifas mais elevadas.
Outro fator que influencia os números é a base de comparação elevada de maio do ano passado, considerado atípico devido à corrida de importadores por fornecedores fora da Ásia após o anúncio de tarifas globais.
Ainda assim, quando comparado a 2024, período sem sobretaxas, houve crescimento de 7,5% no volume exportado aos Estados Unidos, indicando uma possível normalização gradual.
Tarifas
Apesar disso, o setor segue atento ao cenário internacional. Ferreira destaca a preocupação com a incerteza regulatória no mercado norte-americano, especialmente diante de investigações comerciais que podem resultar na aplicação de novas tarifas, que podem chegar a até 37,5% sobre produtos brasileiros.
Diante desse contexto, calçadistas de Franca, um dos principais polos produtores do país, acompanham com cautela os desdobramentos do mercado externo, temendo novos impactos sobre a competitividade e o desempenho das exportações nos próximos meses.