Porque momentos de crise afetam a mente e como recuperar o controle em 5 passos?

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 23 de maio de 2026 às 19:00
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Com o aumento dos afastamentos por transtornos mentais, cresce a atenção para práticas de autorregulação emocional no dia a dia

A sobrecarga emocional deixou de ser um tema restrito aos consultórios e passou a ocupar espaço nas discussões sobre trabalho, produtividade e qualidade de vida.

Em períodos de pressão financeira, incerteza profissional ou crises pessoais, a tendência do cérebro de priorizar ameaças pode comprometer o foco, a clareza e a capacidade de decisão.

A psicanalista e especialista em reprogramação mental Elainne Ourives, afirma que esse mecanismo ajuda a explicar por que tantas pessoas se sentem travadas justamente nos momentos em que precisam agir com mais racionalidade.

“Quando a mente entra em estado contínuo de alerta, a pessoa passa a reagir ao medo, e não à realidade concreta. Isso reduz a clareza, alimenta pensamentos repetitivos e dificulta decisões”, afirma.

Estresse diário

O tema ganha força diante de dados recentes sobre bem-estar emocional no trabalho. O relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, mostrou que 41% dos trabalhadores no mundo relataram vivenciar estresse diário.

Já o Work Trend Index 2025, da Microsoft, identificou aumento da sobrecarga cognitiva entre profissionais expostos a jornadas fragmentadas, excesso de estímulos digitais e pressão por respostas constantes.

Segundo Elainne, quando esse estado emocional se prolonga, o impacto ultrapassa o desconforto psicológico e passa a afetar comportamento, produtividade e relações pessoais.

“A pessoa entra em um ciclo de vigilância constante. Dorme pior, concentra menos, interpreta situações com mais ameaça e começa a perder capacidade de resposta estratégica.”

O cérebro sob pressão

A resposta ao estresse é um mecanismo biológico natural, o problema aparece quando o corpo permanece em alerta por períodos prolongados, mesmo sem risco imediato.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os transtornos relacionados à ansiedade seguem entre os problemas de saúde mental mais prevalentes no mundo, afetando o funcionamento social, emocional e ocupacional.

“Elas não estão necessariamente diante de uma ameaça real o tempo todo, mas o cérebro responde como se estivessem. Isso cria desgaste físico e emocional acumulado”, diz Elainne.

Entre os sinais mais comuns apontados pela especialista estão:

Dificuldade de concentração

Fadiga mental persistente

Insônia ou sono fragmentado

Irritabilidade constante

Pensamentos repetitivos

Procrastinação diante de decisões

Sensação de incapacidade ou sobrecarga

Como recuperar equilíbrio emocional

Embora quadros persistentes exijam avaliação profissional, estratégias de autorregulação podem ajudar a reduzir a sobrecarga cotidiana, a especialista Elainne aponta cinco práticas que podem contribuir para a redução do estresse.

Respiração consciente
Exercícios respiratórios ajudam a reduzir a ativação fisiológica associada ao estresse.

Controle de estímulos
Reduzir excesso de notificações, consumo contínuo de notícias e hiperconectividade ajuda a diminuir tensão mental.

Observação de padrões mentais
Perceber pensamentos automáticos ligados a medo, fracasso ou culpa ajuda a interromper respostas emocionais repetitivas.

Rotina de recuperação
Sono, pausas estruturadas e atividade física seguem como pilares reconhecidos de equilíbrio emocional.

Foco intencional
Direcionar atenção para ações concretas, em vez de permanecer preso ao problema, pode reduzir a sensação de paralisia.

Especialistas alertam que sintomas persistentes, prejuízo funcional ou sofrimento emocional recorrente exigem acompanhamento profissional.

“Autoconhecimento ajuda, mas há momentos em que a pessoa precisa de suporte especializado para reorganizar a própria saúde emocional”, conclui Elainne.


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