Por que coramos? Ficar vermelho pode ter benefícios sociais surpreendentes!

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 21:00
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O rubor costuma ser associado à juventude, vitalidade e fertilidade

Ficar vermelho é uma reação comum e involuntária quando sentimos vergonha ou timidez (Foto Zap Notícias)

 

Todos nós já sentimos isso. Você fica constrangido e, de repente, lá está: um calor subindo pelo pescoço e se espalhando pelas bochechas. Quanto mais você pensa nisso, mais quente e vermelho fica. Se alguém pergunta “você está corando?”, isso só faz você corar ainda mais.

Então, por que isso acontece? Quando já estamos autoconscientes, essa resposta involuntária pode parecer um castigo extra.

Mas a ciência evolutiva sugere que corar pode, na verdade, ter vantagens sociais. Vamos entender melhor.

O que é corar?

Corar é a reação visível do nosso corpo quando sentimos emoções como vergonha, timidez ou autoconsciência.
Isso é causado por um aumento breve do fluxo sanguíneo para a pele das orelhas, do rosto, do pescoço ou do peito.

Quando uma emoção desencadeia o rubor, o sistema nervoso simpático — que controla funções automáticas do corpo — é ativado e libera adrenalina (epinefrina). Isso faz com que os pequenos músculos dos vasos sanguíneos relaxem.

No corpo, a adrenalina costuma contrair os vasos sanguíneos, mas no rosto ocorre o oposto — eles se dilatam. Isso significa que mais sangue flui para a pele, fazendo o rosto ficar quente.

Ficamos vermelhos por causa desse aumento repentino de sangue próximo à superfície da pele.

Pessoas com tons de pele mais claros mostram essa vermelhidão com mais nitidez. Em tons de pele mais escuros, a mudança pode ser menos visível ou nem ser percebida — mas o mesmo processo fisiológico ainda acontece.

Independentemente de os outros conseguirem ver, você ainda sentirá calor ou formigamento no rosto.

O papel social de corar

As pessoas coram quando se sentem muito autoconscientes, o que geralmente é provocado por atenção social indesejada.

Assim, embora o sistema de “luta ou fuga” esteja envolvido, corar não tem a ver com se preparar para o perigo. Em vez disso, os cientistas acreditam que essa reação evoluiu como um sinal social, uma forma de mostrar aos outros que reconhecemos um erro ou nos sentimos envergonhados.

Isso pode ajudar a construir confiança, porque as pessoas costumam ver o rubor como um sinal de honestidade ou sinceridade — especialmente por ser involuntário.

Corar pode funcionar como um pedido de desculpas não verbal por um deslize social, ajudando a manter vínculos depois de uma transgressão.

Emoções diferentes podem nos fazer corar — mas o mecanismo é o mesmo: aumento do fluxo sanguíneo para o rosto, causando a sensação de calor.

A diferença é que o rubor causado pela raiva, por exemplo, vem da excitação e da frustração, enquanto o rubor da vergonha vem da autoconsciência e da emoção social.

As pessoas coram por motivos variados. Um estudo, por exemplo, constatou que crianças com ansiedade social coravam de vergonha quando recebiam elogios exagerados, em comparação com elogios moderados ou nenhum elogio.

Em um estudo de acompanhamento, os pesquisadores descobriram que crianças com pontuação alta em narcisismo — ou seja, com senso exagerado de autoimportância, desejo de admiração e falta de empatia — só coravam quando recebiam elogios moderados.

Os pesquisadores sugeriram que isso ocorria porque o elogio não correspondia ao quão bem a criança acreditava ter se saído.

Quem tem mais probabilidade de corar?

Mulheres e pessoas mais jovens coram mais. Isso pode explicar por que o rubor costuma ser associado à juventude, vitalidade e fertilidade.

Pessoas com ansiedade social também são mais propensas a corar.

Mas, à medida que envelhecemos e adquirimos mais experiência de vida, tendemos a corar menos. Isso pode indicar que estamos mais familiarizados com as normas sociais — ou menos incomodados quando as transgredimos.

Pessoas com eritema facial (vermelhidão persistente no rosto) muitas vezes são confundidas com pessoas corando.

Mas essa condição pode ter várias causas, incluindo rosácea, dermatite de contato alérgica, reações a medicamentos e lúpus eritematoso (uma doença autoimune crônica).

Animais também podem corar

Alguns primatas têm a pele do rosto clara e podem apresentar rubor, como os macacos-japoneses e os uacarís-de-cara-pelada.

Para os mandris, outro tipo de primata, o rubor desempenha um papel importante na fertilidade. As fêmeas têm o rosto escuro quando jovens e após o parto. Mas o rosto fica vermelho-vivo durante a fase folicular do ciclo menstrual, sinalizando fertilidade.

Quando os machos estão na presença de fêmeas férteis, seus rostos ficam mais vermelhos à medida que produzem mais testosterona.

Quando procurar ajuda por causa do rubor

Como corar é uma reação involuntária, você não consegue interromper o rubor depois que ele começa.

No entanto, se você apresentar vermelhidão que dure mais de alguns dias, venha acompanhada de dor ou cause sofrimento por questões estéticas, procure um clínico geral ou outro profissional de saúde.

A terapia cognitivo-comportamental (um tipo de psicoterapia que ajuda a reformular pensamentos e comportamentos pouco úteis) pode beneficiar pessoas que coram por causa da ansiedade social.

Em casos raros, quando a causa é um sistema nervoso simpático hiperativo, a cirurgia pode ser recomendada.

Existem dois tipos: a simpatectomia remove parte da cadeia simpática — uma longa cadeia de fibras nervosas que corre ao lado da coluna vertebral; já a simpaticotomia corta essa cadeia próximo à segunda costela, onde ela se conecta à coluna.

As evidências sugerem que esses procedimentos são eficazes e podem melhorar a qualidade de vida de pessoas com sintomas graves.

Mas, para a maioria das pessoas, corar não exigirá intervenção médica. Se você conseguir superar o constrangimento, essa resposta involuntária pode ser uma oportunidade de refletir sobre os sinais do seu corpo e sobre o que eles revelam a respeito de você e de como você se conecta com o mundo.

Fonte: Folha de Pernambuco

 


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