Mulher se casa com homem que recebeu o coração do ex-marido. Coincidências da vida

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 11 de novembro de 2022 às 20:00
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Viúva concordou em doar órgãos do marido. O mais surpreendente da história é que ela se casou com homem que recebeu o coração

Em 1987, Leila Griff tinha apenas 13 anos quando conheceu Ademilson, de 15 anos, na escola. “Toda dia, ele jogava bola na quadra e na hora do recreio eu corria só para vê-lo. Um belo dia, uma amiga nos apresentou”, conta em seu relato publicado na revista Marie Claire.

Os dois começaram uma paquera longe da vista do pai de Leila que não admitia que ela namorasse. Ela, então, decidiu fugir de casa. “Fui trabalhar como babá e morar na casa dos patrões e, assim, eu e Ademilson continuávamos a nos ver. No ano seguinte, com 14 anos, tivemos a primeira relação sexual e, cinco meses depois, já estava grávida. Logo nos casamos e tivemos dois filhos — Luana, hoje com 28 anos e Luan, com 27″, conta.

Os dois passaram muitos anos juntos até que um dia Ademilson saiu do trabalho e foi beber com uns amigos.

Doador de órgãos

“Lá, se envolveu numa briga de bar e pegou um táxi para ir para casa. Atiraram no carro e os tiros o atingiram na cabeça. Na época, tinha apenas 26 anos e eu, 24. Foi operado de emergência, mas, depois de três dias teve morte encefálica. De uma hora para outra, estava sozinha e com dois filhos para criar, entre 6 e 8 anos”, comenta.

Antes de sua morte, o marido havia chegado em casa dizendo que havia se cadastrado como doador de órgãos. “Lembro de dizer: ‘Está louco? Jamais deixaria que tirassem nada de você, nem um pedacinho’. Mas, naquele momento, diante do médico, mudei de ideia. Ele me disse que os órgãos estavam intactos e que eu poderia mantê-lo vivo dentro de outras pessoas. Só aí decidi assinar o termo de doações dos órgãos do meu marido, a pessoa mais importante da minha vida”, revela.

Um novo amor para recomeçar

De acordo com notícia do portal Nova Mulher, um ano após a morte do marido, Leila estava em casa quando um homem apareceu no portão. “Era Celeidino, o cara que havia recebido o coração do meu marido. Pegou nosso endereço no hospital e fez questão de nos agradecer pessoalmente. Contou que sofria de cardiomiopatia delatada, e, segundo o médico, àquela altura tinha apenas seis meses de vida e já estava há tempos na fila de espera do transplante”.

O mais interessante é que Celedino chegou dizendo: ‘Muito prazer! Sou o rapaz que recebeu o coração do seu marido’. “Quase caí para trás! Quando me recuperei do baque, estendi a mão para cumprimentá-lo. Ele me puxou, me abraçou fortemente e disse: ‘Sinta aqui o coração do seu marido bater’. Fiquei tão comovida que as minhas pernas amoleceram e comecei a chorar. Ele entrou, conheceu os meus filhos e, em pouco tempo, estava frequentando nossa casa”, revela Leila.

Apesar de Leila ficar um pouco receosa com a chegada deste homem, o fato de ele estar com o coração do ex-marido fez com que ela amolecesse. Os dois se tornaram amigos, mas com o tempo se apaixonaram.

Amizade

“Desde que nos conhecemos, todas as vezes que ele ia ao médico, Celê passava lá em casa para ver as crianças, que logo pegaram muito afeição e carinho por ele. Nessa época, para dar conta das despesas da casa e de dois filhos pequenos, eu tinha dois empregos”.

“Dois anos depois de nos conhecermos, ele abriu uma oficina de pintura de carros e motos na minha cidade. Um dia, fui levá-lo até o portão de casa e, sem que eu esperasse, ele me beijou. Levei um susto! Juro que nunca o havia enxergado com outros olhos que não fosse de um grande amigo. Mas, como sempre sincero, Celedino confessou que há tempos já estava gostando de mim. No início, resisti”, conta Leila.

“Me sentia um tanto culpada e envergonhada por me envolver com o homem que carregava o coração do meu falecido marido. Parecia até história de novela. Mas, meus filhos fizeram a maior campanha, lideraram a torcida e me pediram que eu ficasse com o ‘novo pai’ deles! Aí, fui me envolvendo e me entreguei”.

Começo de namoro

Após três anos da morte do ex-marido, os dois começaram a namorar e o mais estranho é que Leila foi notando algumas semelhanças entre os ‘dois maridos’.

“Eles eram de fazer amigos com muita facilidade e os dois amavam o cantor Raul Seixas. Tanto que a coleção de vinis que o Celedino tinha do Raul era idêntica à do Ademilson. Os dois também eram muito brincalhões com as crianças e tinham a mania de colecionar aquelas figurinhas de álbuns (o pai costumava colar nos álbuns junto com os filhos e o Celeidino fazia o mesmo).

“Ah, e tem mais. O melhor amigo do Ademilson passou também a ser o melhor amigo do Celeidino, com o mesmo grau de afinidade. Os dois também possuem o mesmo trabalho, ambos são pintores automotivos. Então, imagina… Haja assunto sobre carros e afins”.

O amor venceu

Leila ainda revela que quando assumiu sua relação com Celê muita gente fazia alguns comentários maldosos.

“Muitos achavam estranho, até mesmo pela nossa diferença de idade — ele tem 15 anos a mais que eu. Com tantos rapazes mais jovens, se perguntavam por que eu resolvi me apaixonar justo por ele. Mas, com o passar do tempo, todos passaram a respeitar a nossa decisão”. O amor venceu.


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