5 em 10 trabalhadores não chegam ao fim do mês com salário na conta, revela Serasa

  • Robson Leite
  • Publicado em 25 de agosto de 2025 às 09:00
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O perfil da amostra do Serasa se divide entre homens e mulheres (50% cada) e contempla todas as regiões do Brasil.

Mais da metade (54%) dos trabalhadores brasileiros com carteira assinada (CLT) ou que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) não conseguem chegar até o final do mês com o salário na conta, segundo a nova edição da Pesquisa de Saúde Financeira e Bem-Estar do Trabalhador Brasileiro 2025, realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian.

Apesar do alto percentual, houve melhora em relação a 2024. No ano passado, esse cenário afetava 62% dos profissionais. Ou seja, o número de trabalhadores que conseguem manter o salário durante todo o mês subiu de 38% para 46% – uma melhora de 8 pontos percentuais em 12 meses.

A melhora existe, mas o aprofundamento da pesquisa exibiu outros aspectos econômicos relevantes sobre o bem-estar dos respondentes que precisam ser considerados. Os dados mostram que apenas 2 em cada 10 entrevistados têm total controle sobre suas vidas financeiras.

Dentre aqueles que alegaram ter menos controle há maior presença da Geração Z, da Classe C, dos trabalhadores PJ e daqueles que atuam em empresas menores.

Realidade desafiadora

Os desafios financeiros impactam, por exemplo, a formação de uma reserva de emergência. Nesse sentido, ainda mais pessoas podem se aproximar do endividamento, pois segundo o levantamento, em uma situação inesperada, somente 1 em cada 4 pessoas conseguiriam custear uma despesa de R$ 10 mil.

De acordo com Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian, “parte dos trabalhadores, até mais do que no ano passado, está estável e consegue finalizar o mês com o salário na conta, indicando uma possível reorganização financeira. No entanto, para a outra metade, a realidade ainda é desafiadora”.

Segundo ele, “o custo de vida continua superior à renda para muitos, reforçando a necessidade de ampliar o acesso ao crédito de forma mais adequada à realidade do trabalhador, além de incentivar práticas de planejamento e educação financeira.”

“Sem estabilidade o trabalhador sente sua vida pessoal sendo diretamente afetada”, explica o executivo. O endividamento é um fator que afeta 66% dos entrevistados com aumento do estresse, 43% com irritabilidade e 39% com insônia. A fim de evitar efeitos colaterais como esses e se reorganizar as pessoas buscam diversas maneiras de quitar as dívidas”, comenta.

49% dos trabalhadores utilizam renda extra para fechar as contas do mês

Dentre os entrevistados que não possuem salário suficiente para chegar ao fim do mês, 49% utilizam fontes de renda extra para fechar as contas e não ficar no vermelho.

De acordo com os dados da pesquisa, dentro dessa fatia, a maior parte recorre ao uso de linhas de crédito, como cartão, cheque especial e empréstimo ou utiliza renda familiar. Também existem aqueles que trabalham dobrado, como freelancer por exemplo.

A busca por renda extra tem sido uma estratégia para evitar o endividamento, especialmente quando o salário não cobre os gastos básicos do mês”, afirma Délber Lage.

Enquanto a maioria dos trabalhadores consegue equilibrar o orçamento com o salário (46%) ou usam alguma fonte de renda extra (49%), existe um grupo de 5% que não chega ao fim do mês com dinheiro e nem possui alternativas.

“Para essas pessoas, a inadimplência é um risco real, mas contratar empréstimos mais vantajosos, com juros menores, como o consignado, por exemplo, ou renegociar dívidas ainda podem ser caminhos efetivos para evitar restrições futuras”, explica o CEO da Salaryfits, empresa da datatech.

E para onde vai o salário?

O estudo também destacou que o principal destino do orçamento dos entrevistados são os itens essenciais. Alimentação e contas básicas de utilities, como luz, água e gás, lideram a lista de gastos mensais, indicando que boa parte da renda é absorvida por despesas fixas.

Na sequência, estão compromissos financeiros de médio e longo prazo, como financiamentos e empréstimos, além de despesas com consumo e estudos.

Geração Z é a única que investe parte significativa da renda em lazer

O destino da renda extra também varia de forma significativa entre as gerações entrevistadas, revelando padrões distintos de comportamento financeiro.

Apesar disso, em comum, todas priorizam o pagamento de contas e despesas fixas — apontadas por 32% da Geração Z e Millennials, e por 30% da Geração X.

No entanto, frente aos demais usos, as diferenças ficam evidentes: a Gen Z é a única que direciona parte significativa da renda extra para lazer (13%) e faz uso mais intenso do cartão de crédito (17%). Já os Millennials lideram com a quitação de empréstimos, dívidas (15%) e alimentação (13%).

A Geração X, por sua vez, também usa o cartão de crédito (14%) e tem destaque para o pagamento de dívidas (13%).

66% têm problemas financeiros e 33% ficaram negativados nos últimos 12 meses

Ainda com os dados inéditos foi possível identificar que, nos últimos 5 anos, 66% dos trabalhadores entrevistados tiveram problemas financeiros. Dentre eles, 17% alegaram estar passando por esse problema atualmente.

O estudo também avaliou os últimos 12 meses dos respondentes em relação às suas finanças. Nesse recorte, 33% passaram por problemas econômicos e se tornaram negativados.

“A estabilidade é o primeiro passo para a construção da segurança financeira de longo prazo. Então, para aqueles que estão em um cenário instável que perdura por anos a capacidade de organizar suas economias fica comprometida”, diz Délber Lage.

De acordo com suas palavras, “com a falta de margem no orçamento e a recorrência de imprevistos a criação de uma reserva de emergência é um grande desafio. Por isso muitos recorrem a financiamentos e empréstimos”, finaliza Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.

Metodologia

Para essa pesquisa, entre maio e junho de 2025, foram coletadas 1.029 entrevistas com funcionários de empresas públicas e de empresas privadas nos regimes CLT e/ou PJ.

O perfil da amostra se divide entre homens e mulheres (50% cada) e contempla todas as regiões do Brasil. A representatividade etária dos respondentes mostra que eles têm, em média, 41 anos, mas foram contempladas pessoas com idades entre 22 e 60 anos.

Importante ressaltar que a amostragem não sofreu alterações significativas com relação à pesquisa de 2024, permitindo as comparações que foram feitas em alguns momentos do texto.


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