A chamada preguiça de sábado pode ser vista, na verdade, como o corpo das pessoas sinalizando a necessidade de pausa
Para muitos francanos, o sábado é sinônimo de descanso, acordar mais tarde e diminuir o ritmo. A expressão popular “dia da preguiça” parece se confirmar nas ruas mais tranquilas, nas cafeterias cheias e no movimento reduzido das primeiras horas da manhã.
Mas será que existe mesmo uma explicação para esse comportamento coletivo? Especialistas afirmam que sim, e ela está diretamente ligada ao funcionamento do cérebro e ao modo como o corpo lida com a rotina.
Segundo neurocientistas e psicólogos, o sábado representa, para a maioria das pessoas, o primeiro dia de liberdade mental após uma semana de atividades obrigatórias. Sem o peso de horários rígidos, prazos e compromissos profissionais ou escolares, o cérebro tende a reduzir a liberação de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol, e aumenta a sensação de relaxamento.
Essa mudança fisiológica explica por que muitos sentem mais disposição para dormir até mais tarde ou simplesmente não fazer nada. Isso porque, durante a semana, as pessoas dormem menos do que deveriam, e o sábado se torna uma oportunidade natural para reequilibrar o relógio biológico. É o organismo cobrando a conta.
E as nossa emoções?
Além do descanso físico, há também uma resposta emocional. A ausência de obrigações diretas permite que o cérebro entre em um estado de menor vigilância, em que pensamentos vagam livremente. Esse processo, conhecido como mind-wandering, é importante para a criatividade e a organização das emoções. Não é à toa que muitas pessoas relatam ter boas ideias ou insights justamente em momentos de descanso.
Efeito reverso
Contudo, especialistas alertam que o excesso de inatividade pode ter o efeito contrário. O psicólogo Henrique Duarte, de Ribeirão Preto, destaca que o equilíbrio é essencial. A pausa é saudável, mas se o sábado se transforma em um dia de total desconexão e isolamento, pode gerar apatia e desmotivação. O ideal é reservar tempo para o lazer ativo — caminhar, encontrar amigos ou praticar um hobby —, o que mantém a mente descansada, mas ainda estimulada.
Costume
Em resumo, o sábado carrega um ritmo diferente, e isso não é apenas uma questão de hábito, mas de biologia e saúde mental. A chamada preguiça de sábado pode ser vista, na verdade, como o corpo e o cérebro sinalizando a necessidade de pausa, de desacelerar e de retomar o equilíbrio perdido ao longo da semana. E talvez seja por isso que, mesmo sem despertador, muita gente siga dormindo um pouco mais, sem culpa.
Fonte: Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC)