Vídeo curto é pior que texto para aprender, mostra estudo. Entenda os motivos!

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 30 de junho de 2025 às 21:00
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Pesquisa alemã mostra que leitura é mais eficiente do que TikToks e Reels para fixar conteúdo e desenvolver raciocínio analítico

Pesquisa mostrou que vídeos curtos, como TikTok e Reels no Instagram comprometem capacidade de aprendizado – foto Arquivo

 

Uma pesquisa da Universidade Técnica de Braunschweig, na Alemanha, apontou que assistir a vídeos curtos — como os populares no TikTok e Instagram — pode comprometer a capacidade de aprender profundamente.

O estudo, publicado na revista científica Computers & Education, concluiu que a leitura de um texto, mesmo com duração equivalente ao vídeo, proporciona melhor assimilação de conteúdo e ativa áreas mais analíticas do cérebro.

A investigação foi conduzida pelo pesquisador Thorsten Otto, que analisou como o consumo de vídeos verticais curtos afeta o comportamento cognitivo e os mecanismos de raciocínio.

A motivação por trás do estudo era avaliar se esse tipo de conteúdo poderia ser integrado ao ensino universitário como ferramenta pedagógica.

A resposta foi negativa: a exposição a esse tipo de mídia estimula pensamentos rápidos e superficiais, contrários ao raciocínio profundo que o ambiente acadêmico requer.

Sistema cerebral de “atalho”

A pesquisa se baseia em uma teoria consolidada sobre o funcionamento cerebral, que divide o pensamento humano em dois sistemas. O Sistema 1 é intuitivo, rápido e emocional, enquanto o Sistema 2 é mais lento, lógico e analítico.

Vídeos curtos ativam majoritariamente o primeiro, promovendo uma gratificação imediata — impulsionada pela liberação de dopamina — em detrimento de um aprendizado de longo prazo.

Para chegar a essas conclusões, Otto reuniu 123 voluntários e os dividiu em quatro grupos.

Cada grupo consumiu os mesmos conteúdos educativos, com temas relacionados ao aprendizado do idioma alemão, em diferentes formatos: vídeo curto e texto. Alguns participantes assistiram também a vídeos variados do TikTok antes do conteúdo educacional.

O desempenho dos grupos foi medido por meio de testes sobre os temas apresentados. Os que apenas leram o conteúdo tiveram desempenho significativamente melhor do que os que assistiram aos vídeos, mesmo quando o conteúdo era idêntico.

Além disso, os grupos expostos aos vídeos do feed do TikTok demonstraram maior tendência ao raciocínio superficial.

Dopamina, distração e sobrecarga cognitiva

Segundo Otto, o consumo frequente de vídeos curtos treina o cérebro a buscar respostas rápidas, sem esforço cognitivo.

“Esses vídeos são envolventes, visuais e sonoros, mas promovem um comportamento passivo, viciado na dopamina”, afirma. Para ele, a sobrecarga sensorial também pode atrapalhar a retenção de informações.

A pesquisa teve uma segunda etapa, com 169 voluntários, que relataram o tempo diário gasto em redes sociais. Eles também realizaram testes cognitivos semelhantes.

A conclusão foi a mesma: quanto maior o consumo de vídeos curtos, menor a capacidade de raciocínio profundo.

Contudo, os dados não permitiram afirmar se os vídeos afetam diretamente essa habilidade ou se pessoas com menos capacidade de análise tendem a buscar esse tipo de conteúdo.

O alerta do “cérebro podre”

O estudo se soma a uma crescente onda de pesquisas que alertam para os impactos negativos das mídias digitais.

O termo “brain rot” (ou “cérebro podre”, em português) foi eleito a expressão do ano pelo Dicionário Oxford em 2024, refletindo a preocupação com os danos causados pelo uso excessivo de conteúdos de baixa qualidade.

Estudos recentes já indicaram que esse comportamento pode reduzir a massa cinzenta, enfraquecer a memória e comprometer a atenção.

Para reverter esse cenário, especialistas recomendam limitar o tempo de tela, priorizar conteúdos educativos, praticar pausas regulares e cultivar o hábito da leitura.

Otto defende também a criação de políticas públicas que incentivem a educação digital crítica, com transparência nas plataformas e incentivo ao consumo consciente. Afinal, em um mundo hiperconectado, o desafio não é apenas individual — é coletivo.

Fonte: G1


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