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Variante amazônica predomina na Grande SP; Estado interna três a cada 2 minutos

  • Dayse Cruz
  • Publicado em 8 de março de 2021 às 10:30
  • Modificado em 8 de março de 2021 às 12:16
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Na última quinta-feira, uma análise feita pela Fiocruz mostrou que, de oito Estados analisados, seis já tinham a prevalência de variantes mais preocupantes do coronavírus

Variante amazônica do novo coronavírus tem alto poder de transmissibilidadeVariante amazônica do novo coronavírus tem alto poder de transmissibilidade

 

Com três pacientes sendo hospitalizados a cada dois minutos por Covid-19 em São Paulo, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, voltou a manifestar preocupação sobre um possível colapso no sistema e fez um apelo para atrair voluntários para atuar na linha de frente.

“Nós precisamos de ajuda, porque estamos em guerra.”

Um estudo da Dasa e da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que a variante amazônica, mais transmissível, já predomina na Grande São Paulo.

“Algumas unidades, infelizmente, já colapsaram”, lamentou Gorinchteyn, sem detalhar hospitais ou localização.

“Não queremos que as pessoas morram sem assistência. O mínimo que podemos dar é dignidade. Nem que a gente coloque em qualquer lugar o cilindro do oxigênio, que distribua a pessoa até mesmo nos corredores. Nós vamos garantir a assistência.”

“Vamos continuar abrindo leitos e vagas dentro dos hospitais. Abriremos em qualquer local desses hospitais, seja nos anfiteatros, seja nos laboratórios e seja nos corredores”, disse Gorinchteyn.

Ao lado dele, o governador paulista, João Doria (PSDB), destacou que um novo hospital de campanha montado dentro de uma unidade hospitalar já existente será anunciado nesta segunda-feira.

O governo já havia adiantado que negociava a contratação de 130 leitos nas dependências de uma instituição privada na região central da capital paulista.

De cerca de 8,5 mil leitos que o Estado prevê em funcionamento até o fim de março (hoje são cerca de 8 mil), mais de 1/3 são vagas particulares alugadas.

“Ah, paciente no corredor? Vai ter paciente no corredor. O que nós não queremos é paciente desassistido. Nós vamos dar oxigênio, ampliar a distribuição de respiradores, como nós já temos feito”, continuou o secretário.

Ao falar dessa situação, Gorinchteyn fez um apelo para que conselhos de classe chamem profissionais de saúde a serem voluntários para atuar na linha de frente contra a Covid-19. “Nós precisamos (de) ajuda, porque estamos em guerra.”

No caso de hospitalizações relacionadas ao novo coronavírus, houve aumento de 13,5% na média diária nesta semana, que chegou a 2.066 novos pacientes por dia. Na comparação comtrês semanas atrás, isso representa elevação de 42,4%.

Em óbitos, a média diária da semana é de 273, um aumento de 13,2% em relação à semana anterior.

As médias são consideradas parciais, pois não incluem os dados desta sexta e do sábado, fechando a semana epidemiológica.

São Paulo soma 2.093.924 casos e 61.064 óbitos pelo novo coronavírus. A ocupação é de 77,4% em leitos de UTI, média que é de 79,1% na Grande São Paulo.

Nas enfermarias, a ocupação é de 59,6% e 66,9%, respectivamente. O número de pacientes internados chegou a 17.802 na quinta-feira, dos quais 9.910 estão em enfermaria e 7.892 em UTIs.

Mutação

A variante P.1 do coronavírus, originada em Manaus no fim de 2020, já é predominante na Grande São Paulo, segundo estudo feito pela rede Dasa de laboratórios em parceria com cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) e divulgado ontem.

Os pesquisadores analisaram 91 amostras de pacientes infectados pelo coronavírus em municípios da região metropolitana e verificaram que 77% delas se mostraram positivas para a nova cepa.

Segundo estudos recentes, a P.1 é até duas vezes mais transmissível, aumenta em dez vezes a carga viral nas células do doente e pode escapar de anticorpos formados em infecções prévias, facilitando reinfecções.

Na última quinta-feira, uma análise feita pela Fiocruz mostrou que, de oito Estados analisados, seis já tinham a prevalência de variantes mais preocupantes do coronavírus: Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A análise das amostras da Grande São Paulo foi feita por meio de uma nova técnica do exame RT-PCR capaz de identificar características de diferentes cepas. A

metodologia foi desenvolvida pela Dasa e pelo IMT/USP, seguindo um protocolo de identificação de variantes proposto pela Universidade de Yale (EUA).

Em nota, a rede de laboratórios alertou que o resultado da análise “reforça a importância das medidas de prevenção amplamente conhecidas pela população: uso de máscaras, higienização das mãos com álcool em gel 70% e, sempre que possível, manter o isolamento social para frear a disseminação do vírus”.

Comparação

Para o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana, a rapidez com que a cepa vem se espalhando pelo País demonstra seu poder de disseminação. “Podemos sugerir que a P.1 seja altamente transmissível e apresentou maior prevalência que a variante do Reino Unido.”

*Informações CNN


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