Mercado norte-americano é o principal foco de calçadistas francanos que exportam
Apesar das tentativas de diálogo para a manutenção da histórica relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, o dia seis de agosto ficou marcado por uma situação que prejudicar muito as exportações de calçados brasileiros.
É neste dia, nesta quarta-feira, que entrou em vigor, por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ordem executiva que sobretaxa em 50% produtos importados do Brasil por aquele país. A cobrança passa a valer a partir deste dia seis e afeta diretamente o setor calçadista.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) ressalta que, apesar de todos os esforços, de empresários e do corpo diplomático brasileiro, o setor estava notando poucos avanços desde o anúncio da medida.
Segundo o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, essa sobretaxa irá atingir, em cheio, não somente o setor calçadista brasileiro, que tem nos Estados Unidos seu principal destino internacional, mas milhares de empregos. A Abicalçados estima que, com a medida, as exportações para os Estados Unidos serão inviabilizadas.
“Temos empresas cuja produção é integralmente enviada ao mercado externo, a maior parte para os Estados Unidos. Essas empresas terão produtos muito mais caros do que os importados da China, por exemplo, que pagam uma sobretaxa de 30%. Estamos falando, neste primeiro momento, de uma perda estimada em cerca de oito mil empregos diretos”, concluiu.
Medidas paliativas
Ferreira destacou, ainda, que o próximo passo é trabalhar junto aos governos Federal e estaduais para mitigar os efeitos da medida na indústria. “Agora, o Poder Público terá um papel fundamental para a preservação das empresas e dos milhares de empregos gerados por ela”, disse.
Entre as medidas solicitadas, estão linhas para cobrir o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) em dólar com juros do mercado externo, a ampliação do Reintegra para exportadores, a liberação imediata de créditos acumulados do ICMS (Estados) e a reedição do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), que ofereceu, em 2020, medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública e da emergência de saúde pública decorrente do coronavírus.
Mercado
Historicamente o principal destino internacional do calçado brasileiro, os Estados Unidos respondem por mais de 20% do valor total gerado pelas exportações do setor. Apesar do cenário internacional adverso, a Abicalçados reporta que o setor vem, ao longo do ano, recuperando as exportações de calçados aos Estados Unidos.
No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou US$ 111,8 milhões, equivalentes a 5,8 milhões de pares de calçados àquele país, registrando crescimentos de 7,2% e 13,5%, respectivamente, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Com a sobretaxa de 50% o ciclo será interrompido, com efeitos econômicos e sociais importantes para o Brasil.