Aumentos na energia elétrica e dos medicamentos pesaram no IPCA-15, que acumula avanço de 7,27% no período de 12 meses
A prévia da inflação oficial no País desacelerou de 0,60% em abril para 0,44% em maio, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados nesta terça-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado surpreendeu positivamente analistas do mercado financeiro, que estimavam uma alta mediana de 0,54%.
No entanto, ainda foi a taxa mais elevada para o mês desde 2016. Como consequência, o IPCA-15 acumulado em 12 meses avançou de 6,17% em abril para 7,27% em maio, maior patamar desde novembro de 2016.
Serviços
Para o economista João Fernandes, sócio da Quantitas Asset, os preços dos serviços foram contidos pelas medidas restritivas anti-Covid, em vez de mostrarem recomposição em meio à reabertura gradual da economia.
Apesar da avaliação de inflação ainda pressionada, a projeção da Quantitas para o IPCA de 2021 deve cair de 5,70% para cerca de 5,60%.
“Não mudo a minha visão de inflação alta este ano. É uma situação difícil para formuladores de política no mundo todo. Mantivemos a expectativa de taxa Selic (taxa básica de juros) a 6,50% em dezembro”, disse Fernandes.
Impacto
Em maio, houve pressão do aumento de 2,31% na energia elétrica, item de maior impacto individual no IPCA-15 do mês, uma contribuição de 0,10 ponto porcentual.
A bandeira tarifária vermelha patamar 1 passou a vigorar em maio, acrescentando R$ 4,169 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos, depois de quatro meses seguidos de bandeira amarela, que cobrava um extra de R$ 1,343, justificou o IBGE.
Houve reajustes ainda nas contas de luz de Fortaleza, Salvador e Recife.
O gás de botijão também subiu em maio, 1,45%, o 12º mês consecutivo de aumentos.
Cuidados
As famílias brasileiras também gastaram 1,23% mais com saúde e cuidados pessoais.
O avanço foi impulsionado pela alta dos produtos farmacêuticos (2,98%), devido ao reajuste de 10,08% nos preços dos medicamentos autorizados pelo governo a partir de 1º de abril.
A gasolina ficou 0,29% mais cara em maio, acumulando uma alta de 41,55% nos últimos 12 meses.