Preço da gasolina: o que pode mudar após queda do dólar, segundo economistas

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 29 de março de 2022 às 08:00
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Segundo economistas, os preços praticados pela Petrobras nas refinarias ainda estão defasados em relação ao mercado internacional

Com a queda de 15% do dólar em relação ao real desde o início do ano, o consumidor brasileiro se pergunta: e a gasolina, vai agora ficar mais barata? A inflação vai perder força?

A BBC News Brasil perguntou a economistas e, segundo eles, os preços praticados pela Petrobras nas refinarias ainda estão defasados em relação ao mercado internacional, mesmo com a queda de preços do barril de petróleo e a valorização recente do real em relação ao dólar.

Assim, uma redução de preços pela empresa é improvável neste momento, dizem os especialistas.

Mas os analistas também não acreditam em nova alta para corrigir a defasagem atual — estimada entre 5% e 10%, ante quase 40% no início de março, quando o petróleo chegou próximo a US$ 140 e o dólar ainda era negociado acima de R$ 5.

Quanto aos efeitos na inflação em geral, há quem defenda que seria necessário um dólar em queda por período mais longo para que a mudança do câmbio tenha efeitos em itens como alimentos e bens industriais.

E mesmo quem acredita que a queda já dura tempo relevante admite que, quando o dólar sobe, os repasses são sempre mais rápidos do que quando ele cai.

“Existe uma resistência maior dos empresários em dar descontos”, observa Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

Por que gasolina é mais cara no Brasil do que nos vizinhos?

Segundo os especialistas, são dois os motivos principais: a política de preços de cada país e a carga de impostos.

Países que têm gasolina muito mais barata do que a do Brasil, como Venezuela e Argentina, praticam intervenções estatais nos preços, como subsídios pesados no caso venezuelano e congelamento de valores, no caso argentino.

E a inflação, pode melhorar com a queda do dólar?

“No curtíssimo prazo, o câmbio bate na inflação através dos combustíveis, devido à política de paridade de preços”, explica Étore Sanchez, economista-chefe da gestora de recursos Ativa Investimentos. “Como não estamos vendo potencial para reajuste baixista [da gasolina], mesmo com o alívio do câmbio, por essa via não deve haver impacto.”

Já para as cadeias onde o câmbio tem influência por caminhos mais longos — como a importação de componentes que entram em produtos industriais e as commodities agrícolas usadas na ração animal —, seria necessário um real valorizado por mais tempo para que houvesse impacto favorável, avalia o economista.

Sanchez estima que o dólar deve chegar ao fim de 2022 cotado a R$ 5,40, pois, na avaliação dele, o nível atual, abaixo de R$ 5,80, não é compatível com os “fundamentos” da economia brasileira, como a frágil situação das contas públicas do governo federal.

Já Rafaela Vitória, do Banco Inter, projeta um dólar a R$ 5 no fim do ano e acredita que o câmbio já está em baixa a tempo suficiente para ter um efeito positivo na economia, posto que ele fechou 2021 cotado a quase R$ 5,60 e acumula três meses de queda, chegando a R$ 4,75 na sexta-feira (25/3).

“Podemos falar num impacto positivo sim, é uma queda já de três meses”, afirma.


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