Para não sobrar mês no fim do dinheiro, brasileiros estão mudando jeito de comprar

  • Robson Leite
  • Publicado em 5 de julho de 2021 às 19:30
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Precisando se adaptar aos novos tempos pandêmicos, os consumidores diluem as compras do mês para esticar salário até o fim do mês

Por causa da pandemia, dos salários e dos preços, os consumidores mudaram o jeito de fazer as compras mensais

A pandemia mudou a forma como o consumidor faz suas compras de mês.

As compras de abastecimento – aquelas maiores e com mais itens – tradicionalmente são feitas no começo do mês, quando o salário cai na conta das pessoas.

Com o aumento do desemprego e redução da renda, essas compras mais pesadas foram diluídas e ganharam importância no meio e fim de mês, de acordo com estudo da Kantar.

As pessoas costumavam fazer as compras mais parrudas no começo do mês, quando recebem seus salários.

Começo, meio e fim

Mas para racionalizar o gasto, esses gastos passaram para o meio e fim do mês.

“Porque a pessoa sabe que o próximo pagamento está chegando e que dá para gastar mais”, afirma Rafael Couto, gerente de soluções para consumidores da Kantar.

Além das compras maiores, ficaram para o fim do mês as aquisições de produtos mais caros.

De acordo com uma notícia da editora Fabiana Futema, do site 6 Minutos, a lógica é a mesma: esperar o fim do mês para ver se aqueles itens estão dentro do orçamento familiar.

Comprando menos

No começo da pandemia, em março de 2020, os consumidores correram aos supermercados e fizeram grandes compras de abastecimento.

Ninguém sabia quanto tempo a pandemia iria durar, se iria faltar produto, por isso houve aumento da compra de abastecimento.

Com o passar dos meses, o consumo foi se normalizando. “Com a volta das restrições, em fevereiro e março deste ano, os consumidores fizeram menos compras. A frequência caiu muito. Só que diferentemente do começo da pandemia, as pessoas não levaram tantos itens para casa desta vez”, afirma Couto.

De acordo com levantamento da Kantar, o consumo neste período caiu 5% em relação a igual período de 2020.

Atacarejo para todos

O atacarejo deixou de ser um canal exclusivo para a baixa renda e agora serve como canal de abastecimento de todas as classes sociais.

O formato se modernizou, deixou de ser aquele lugar feio e oferece novos serviços.

É claro que as limitações têm um limite, pois é preciso manter o atrativo do preço.

Força do e-commerce

A participação do e-commerce nas compras saltou de 3% no começo da pandemia para 5,8% no fim de 2020.

No e-commerce, as compras mais pesadas são realizadas no começo do mês, com preferência para produtos de marca própria.

No meio do mês, o consumidor compra marcas premium e no final, produtos econômicos.

“O e-commerce vem crescendo muito e o WhatsApp tem papel importantíssimo nisso, representa 3,8% das compras”, afirma Rafael Couto.


+ Economia