Nos sete primeiros meses deste ano, os Estados Unidos foram o principal destino internacional para os calçados brasileiros.
A participação de 32 marcas brasileiras de calçados em duas feiras norte-americanas, promovida pelo BrazilianFootwear, programa de apoio às exportações do setor mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), deve gerar mais de R$ 30 milhões (US$ 5,47 milhões) em negócios.
A expectativa soma negócios realizados in loco e que ficaram alinhados na Atlanta Shoe Market e na Magic Las Vegas.
Surpresa positiva
Carla Giordani, da área de Negócios da Abicalçados, conta que o dado surpreendeu positivamente, principalmente em função da entrada em vigor da sobretaxa de 50% para produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.
“Existe um movimento bastante positivo entre os compradores dos Estados Unidos, que se dizem dispostos a negociar o pagamento das tarifas extras para manter o fornecimento de calçados brasileiros”, avalia.
A primeira participação verde-amarela foi na Atlanta Shoe Market, entre os dias 9 e 11 de agosto. Lá, 22 marcas brasileiras comercializaram, in loco, 19,2 mil pares de calçados, que geraram R$ 3,34 milhões (US$ 609 mil).
Somando os negócios que ficaram alinhavados no evento, os números saltaram para 148,64 mil pares e R$ 16,47 milhões (US$ 3 milhões).
Vários países
A feira gerou um total de 197 contatos com players dos mercados dos Estados Unidos, Canadá, Costa Rica, China, França, Austrália, México, Trinidad e Tobago, Panamá, Porto Rico e Jamaica.
Participaram da mostra, com o apoio do BrazilianFootwear, as marcas Arezzo, AwanaGroup, Bibi, Bottero, Cartago, Cocco Miami, GVD International, Houseof ZALO, Ipanema, Itapuã, Klin, Melissa e Mini Melissa, New Face, Pegada, Piccadilly, Pyramidis, Rider, Schutz, Usaflex, Vicenza e Zaxy.
O diretor da GVD, Wagner Kirsch, revela que a empresa foi para a feira com “expectativas reduzidas” em função do tarifaço, mas que o evento surpreendeu positivamente.
“A feira se mostrou positiva. Durante os três dias, fechamos negócios e desenvolvemos novos contatos importantes, apesar de um mercado nervoso”, avalia. Segundo ele, os compradores norte-americanos se mostraram esperançosos com a resolução do conflito comercial.
Mais feiras
Na sequência, entre os dias 18 e 20 de agosto, as calçadistas brasileiras participaram, em Las Vegas, da Magic Las Vegas.
Com 12 marcas verde-amarelas, a feira comercializou, in loco, 20,3 mil pares por R$ 3,4 milhões (US$ 620 mil). Somando os negócios que ficaram alinhavados, os registros saltaram para 141,25 mil pares e R$ 13,5 milhões (US$ 2,47 milhões).
No total, foram realizados 244 contatos com compradores dos Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala, Honduras, Porto Rico, Panamá, Equador e Colômbia.
Participaram da mostra, apoiadas pelo BrazilianFootwear, as marcas Actvitta, Beira Rio, BR Sport, Carrano, Cocco Miami, DressTo, Klin, ModareUltraconforto, Moleca, Molekinha, Molekinho e Vizzano.
Diversidade
Camila Chamoun, gestora de Exportações da Klin, que participou das duas feiras, diz que as participações foram fundamentais para entender como está o mercado local e como funcionam as negociações nesse momento de incertezas.
“Na feira, recebemos não somente compradores dos Estados Unidos, mas de outros países, além de associações que representam o varejo local. Trocamos informações importantes sobre o mercado, canais de vendas e negociações’, conta. Segundo ela, as perspectivas são “muito boas” e os compradores não falavam tanto dos impactos das tarifas, pois acreditam que será algo temporário.
Mercado
O mercado estadunidense consome, anualmente, mais de 2,6 bilhões de pares, quase todos importados. Atualmente, quase 30% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de calçados são provenientes do mercado norte-americano.
Nos sete primeiros meses do ano, os Estados Unidos foram o principal destino internacional do calçado brasileiro.
No período, foram embarcados para lá 6,9 milhões de pares por US$ 134,9 milhões, incrementos de 15,3% em pares e de 7% em dólares na relação com o mesmo período do ano passado.