Manuel Bandeira é o tema da Degustação Literária desta sexta-feira, 20, em Franca

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  • Publicado em 18 de maio de 2016 às 16:50
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:46
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Promovido pela Biblioteca Municipal, evento contará com exposição de livros, música e muita leitura

Um dos maiores poetas brasileiros, Manuel Bandeira é o homenageado da Degustação Literária desta semana

Dando continuidade a um programa que vem conquistando cada vez mais apreciadores, a Biblioteca Municipal “Américo Maciel de Castro Júnior” prepara mais uma edição do projeto “Degustação Literária” para esta sexta-feira, dia 20, a partir das 18h. Desta vez, o poeta Manuel Bandeira será o homenageado.

Em sua 8ª edição, o objetivo do projeto é transformar o local em um “restaurante caseiro”, onde recebe o público adulto e tem uma interessante apreciação de obras literárias, com um cardápio composto por contos, boa música e exposição dos livros dos autores selecionados para o evento. 

Como há limitação de espaços, recomenda-se aos interessados que confirmem presença pelo telefone: 3711-9229.

O POETA MAIOR

Manuel Bandeira, um dos pilares da fase heroica do modernismo no Brasil, certamente é um dos maiores representantes da poesia em verso livre na literatura brasileira. Em seus poemas predomina uma temática que contempla o prosaico, o corriqueiro, permeados por doses exatas de lirismo que fizeram de Bandeira um dos mais aclamados escritores de nossas letras.

Grande apaixonado por música e arquitetura, a poesia surgiu na vida de Manuel Bandeira por acaso: a saúde frágil do adolescente que sofria de tuberculose afastou-o da vida agitada e cheia de aventuras tão comum aos jovens e levou-o à introspecção, descobrindo então o prazer de fazer versos sem ter sido antes um leitor voraz. A sensação iminente de morte fez com que sua obra fosse marcada por temas como a solidão, a angústia existencial, as reminiscências da infância e o isolamento advindo da doença. Embora frágil, viveu 82 anos, e sua extensa obra dá um testemunho da poesia brasileira no século XX.

Para que você conheça um pouco mais sobre a obra do poeta que um dia ousou criar seu próprio paraíso – é dele o poema Vou-me embora pra Pasárgada. Conheça um pouco da beleza dos versos do poeta que tão bem combinou lirismo e cotidiano. 

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

        Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive
 
E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada
 
Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar
 
E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

SERVIÇO

A Degustação Literária é aberta ao público em geral.

Início: às 18h

Local: Biblioteca Municipal “Américo Maciel de Castro Júnior”

Informações: 3711-9229.


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