Estelionatários seduzem vítimas e desviam recursos ou prometem lucros com criptomoedas; veja dicas para se relacionar em aplicativos de namoro ou em redes sociais!
O termo golpe do amor é recente, engloba diferentes tipos de fraude e está ligado ao aumento desse tipo de ação nas redes sociais (Foto Notícias R7)
Um grupo de mulheres jovens, de 23 a 32 anos, se uniu para barrar um estelionato amoroso em série provocado por um homem que se apresenta como estudante de medicina, investidor e kitesurfista em perfis no Instagram, Tik Tok e aplicativos de relacionamento, ferramentas com as quais se aproxima de jovens belas e de famílias ricas.
É mais um caso do chamado “golpe do amor”, que há ao menos três anos vem sendo alvo de alertas por parte da polícia e da Receita Federal.
O termo engloba diferentes tipos de fraude, mas todos consistem em envolver a vítima sentimentalmente a fim obter vantagem econômica dela.
Em alguns casos, a aproximação romântica pode levar meses. Embora não seja novo, o crime passou a ocorrer com mais frequência pelas redes sociais.
Casos reais
Uma advogada que preferiu não se identificar contou que conversa há mais de um mês com um estrangeiro e que ele topou até fazer chamada de vídeo (em péssima qualidade e sempre interrompida pela suposta fragilidade do sinal) para tentar mostrar que não era uma fraude.
Embora ela desviasse do assunto finanças, ele tentava falar sobre o tema. Após colocar a imagem dele no aplicativo Google Lens, que leva à foto indexada no buscador, ela viu que o golpista usava a foto de um político alemão.
Outra pessoa relatou que falava com um suposto médico no Tinder que dizia estar na guerra. Ele pediu R$ 25 mil argumentando que seu dinheiro estaria preso.
Ao procurar a foto no Google, a mulher identificou que ele usava a imagem de um atleta.
Estelionato sentimental
A fraude costuma ser registrada pela polícia como estelionato sentimental (mesmo que não tenha ocorrido na internet). O termo golpe do amor é recente e está ligado ao aumento desse tipo de ação nas redes sociais.
“A linguagem jurídica é estelionato sentimental, que sempre existiu, mas agora está facilitado pelos meios virtuais, onde a pessoa cria contextos sem precisar conhecer a vítima pessoalmente”.
“Às vezes, a vítima não dá prosseguimento na esfera criminal. Na cível, pode conseguir condenação por dano moral quando o estelionatário é encontrado”, diz o advogado criminalista Pedro Martinez.
Autoridades apontam para padrões nesse tipo de interação: a pessoa diz ser estrangeira e mostra a intenção de morar no Brasil; a conversa acontece em inglês ou o golpista diz que vai traduzir sua fala para o português; a foto é roubada de outra pessoa da internet; o número do WhatsApp é internacional; e, inevitavelmente, o dinheiro aparece em algum momento da conversa.
Volume crescente de vítimas
O crime pode envolver investimentos falsos em criptomoedas, transferências bancárias, doações e, em casos mais extremos, sequestros. O que une esses golpes é a manipulação emocional, sempre ligada a um romance.
Em 2021, a Receita Federal registrou um volume crescente de relatos em que a vítima foi induzida a pagar uma quantia ao criminoso para acessar bens e dinheiro em espécie que estariam retidos em aeroportos.
Esses relatos incluem “propostas de casamento” e caixas com presentes, como um suposto anel para noivado.
Nesse tipo de esquema, o criminoso diz que pretende se mudar para o Brasil, que um pacote seu está retido na alfândega e que precisa de transferências da vítima para poder liberá-lo. A remessa seria parte de sua mudança ou algum presente.
Segundo a autoridade, há outros episódios em que o golpista diz estar doente e envia fotos falsas de sua internação fictícia.
SAIBA EVITAR O GOLPE DO AMOR. E O QUE FAZER SE CAIU NELE
– Conheça alguns padrões relacionados ao estelionato sentimental
– O golpista ou a quadrilha fisga a vítima nas redes sociais ou em aplicativos de namoro, onde as pessoas estão mais abertas a se relacionar
– Utiliza fotografia de outra pessoa e diz ser estrangeiro. Quando a conversa migra para o WhatsApp, o número costuma ser internacional, o que dificulta sua rastreabilidade pela polícia
– Trata a pessoa com gentileza e faz aproximações românticas, demonstrando interesse em relacionamento sério e vontade de morar no Brasil
– Dificulta chamadas por vídeo ou encontros físicos
– Fala sobre dinheiro, seja contando uma situação dramática, solicitando empréstimo ou convidando a pessoa a investir
– Em golpes mais orquestrados, cria páginas falsas na internet -como de logística, em casos que pretende enviar uma remessa para o Brasil
Veja dicas para se relacionar em aplicativos de namoro ou em redes sociais
– Não fale sobre dinheiro
– Jamais compartilhe dados bancários ou faça qualquer transação como PIX e transferência a pessoas com quem você só se relaciona pela internet. Às vezes, o golpista não tem pressa e conversa por meses com a vítima para obter confiança
– Sempre desconfie
– Cheque informações da pessoa na internet: aplicativos como o Google Lens (disponível em celulares Android) ou Live Text (na Apple) permitem que você escaneie ou tire uma foto do perfil com quem conversa e encontre links relacionados a ele na internet
Se informe sobre segurança nos apps: Aplicativos de namoro têm páginas sobre segurança digital, física e sobre orientação para denúncias
Denuncie: Não tenha receio de denunciar comportamentos suspeitos e/ou ofensivos
Faça chamadas por vídeo no app: Mesmo que alguns criminosos consigam forjar, tente ver o rosto da pessoa em uma chamada de vídeo e confirmar se é a mesma pessoa da foto
Opte por recursos de verificação: No Tinder, perfis com tíque azul são genuínos porque passaram por uma comprovação de identidade; é desejável que todos solicitem essa verificação na plataforma
Não caia na conversa de remessas presas na alfândega: Em casos de supostas remessas trancadas pela Receita, veja se a empresa está habilitada no Brasil.
A autoridade alerta que o pagamento de tributos nunca ocorre por meio de depósito/transferência em conta-corrente e que remessas expressas (courier) ocorrem só em empresas habilitadas pelo órgão.
Não invista seu dinheiro por meio desse contato: Só invista em criptomoedas de forma independente: procure uma corretora brasileira credenciada e conheça seu agente.
Não clique em links suspeitos: Não abra links enviados por alguém que você não conhece, especialmente em supostos convites de investimentos em criptomoedas ou de doações.
VIREI ALVO DE UM GOLPISTA. O QUE FAÇO?
Se você identificou que é vítima de um esquema, é possível ajudar outras pessoas antes de desmascarar o criminoso
– Entre em contato com a polícia
– Se você viu que a identidade da pessoa com quem conversa é falsa, entre em contato com a delegacia mais próxima para entender como pode colaborar. As delegacias de cibercrime são as mais indicadas.
– Denuncie e bloqueie
– Evite entrar em discussões. Após orientação da polícia, denuncie o perfil à plataforma e bloqueie de seus aplicativos.