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Em reunião com francanos, vice-presidente da Fiesp mostra descompasso de impostos

  • F. A. Barbosa
  • Publicado em 11 de maio de 2021 às 20:00
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“É inaceitável que a indústria arque com um terço dos impostos, tendo participação de 11% do PIB” afirma vice-presidente da FIESP/CIESP

Vice-presidente da Fiesp e do Ciesp se reuniu virtualmente com industriais francanos

Rafael Cervone, vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, fez uma reunião virtual na tarde desta terça-feira, 11 de maio, com empresários de Franca e região.

No encontro, ouviu os relatos sobre os principais problemas que têm afetado localmente o setor, que deverão merecer a atenção das entidades.

O excesso de impostos, fator estrutural do País, e a falta atual de matérias-primas, principalmente aço e papelão, são as dificuldades mais agudas.

Cervone relatou aos empresários que havia mantido reunião, nesta terça-feira (11/5) de manhã, com quatro integrantes do Ministério da Economia, para tratar de questões relativas à competitividade da indústria, dentre elas a reforma tributária.

Expôs ser inaceitável que a indústria arque com um terço dos impostos nacionais, tendo participação de apenas 11% do PIB.

Os tributos, frisou, são responsáveis por uma diferença de custo, a maior para o Brasil, de R﹩ 270 bilhões anuais em relação à média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Outros R﹩ 300 bilhões dizem respeito aos onerosos encargos trabalhistas.

“No total, considerando 12 fatores, operar em nosso país implica custo de R﹩ 1,5 trilhão a mais do que nos membros da OCDE”, acentuou o dirigente da FIESP/CIESP.

Os dados constam de estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC), do qual participaram diversas entidades de classe.

“E as nossas desvantagens concorrenciais vão aumentando, à medida que outras nações estão apoiando a indústria, pois a reconhecem como fundamental para vencerem a crise da Covid-19, como tem ocorrido na Europa, onde ouvi, em reunião do B20, braço privado do G20, que o setor terá diferimento e postergação de impostos.

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden destinou US﹩ 300 bilhões para o fomento da atividade”, comparou.

Quanto à questão pontual da falta e aumento dos preços das matérias-primas e insumos, Cervone lembrou a majoração do gás natural de 39% este mês e apontou o aço e o papelão como os dois casos mais graves.

Relatou aos industriais de Franca, onde o problema tem sido recorrente, que a FIESP/CIESP está mantendo conversas com os fornecedores em busca de uma solução.

“Além de dificultar o atendimento à demanda e pressionar os preços, essa questão acaba reforçando o argumento do governo em sua intenção de reduzir as tarifas de importação de bens industriais, o que seria ainda mais nocivo para nossa atividade”, ponderou.

Cervone concordou com os empresários de Franca quanto à prioridade de resgatar a competitividade da indústria.

Ele diz que em função dos itens do Custo Brasil apontados no estudo, o país concorre em desigualdade com o Exterior.

Devido à guerra fiscal, São Paulo sofre disputa desleal com outros estados; e as feirinhas da madrugada, cada vez mais presentes em numerosas cidades, nas quais não se recolhem impostos e se paga até com bitcoins não rastreáveis, complementam a onda de desvantagem concorrencial que bate nas nossas empresas”.


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